6 de maio de 2026
Evento teve início em 04 de maio
A implementação da Reforma Tributária, seus impactos práticos e os caminhos para adaptação de empresas e profissionais estiveram no centro dos debates do primeiro dia do Tax Summit, evento promovido pelo Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil, que reuniu especialistas do setor público e privado. O cenário, segundo os participantes, exigirá preparação significativa das empresas, mas aponta para um sistema mais transparente, eficiente e alinhado às práticas internacionais.
As discussões evidenciaram que a reforma representa uma mudança estrutural no sistema tributário brasileiro exigindo adaptação de processos e revisão de modelos de negócio. Ao mesmo tempo, os participantes destacaram o potencial de ganhos relevantes para a economia, com estimativas de aumento do PIB em até 20% ao longo de 15 anos, além de impactos positivos sobre investimentos, competitividade e ambiente de negócios.
Representando a Receita Federal, o Gerente de Projetos da Reforma Tributária, Fernando Mombelli, enfatizou que 2026 será um ano de testes para o novo sistema, sem cobrança de tributos ou aplicação de multas por descumprimento de obrigações acessórias, permitindo ajustes operacionais antes da implementação plena. A transição será gradual, com conclusão prevista até 2033, enquanto os ajustes federativos podem se estender até 2076 ou 2096, a depender dos mecanismos de compensação.
Os debates também abordaram a eliminação de distorções no sistema atual, como benefícios fiscais direcionados, e a mudança na lógica de tributação, com maior neutralidade e foco no destino. Nesse contexto, especialistas reforçaram que a reforma não se limita à legislação, mas depende diretamente da capacidade de implementação por parte das empresas.
Para o presidente da Febrafite e da Afresp, Rodrigo Spada, a reforma exige uma reorganização das estruturas empresariais. “A reforma tornará necessário que empresas revisitem seu planejamento tributário e, em alguns casos, seu portfólio de produtos. Teremos uma demanda gigantesca por contadores, auditores e consultores para adaptar as empresas ao novo sistema”, destacou.
Já a Sócia de Tributos em Firma de Auditoria Associada, Bruna Felizardo, ressaltou que a transição implicará em mudanças em políticas contábeis e KPIs de desempenho, com impactos em operações como cashback, pagamentos antecipados, bonificações e descontos, além de efeitos relevantes nos processos de reconciliação e nas contas a receber e a pagar. “A implementação do IBS e da CBS também envolve análise de riscos como impairment de crédito e traz impactos significativos no fluxo de caixa, especialmente com o crédito condicionado e o split payment”, explicou.
Tecnologia e operacionalização ganham protagonismo na implementação
O segundo painel do evento trouxe foco para os desafios tecnológicos e operacionais da reforma, evidenciando que a transformação vai além da mudança de regras e envolve uma nova lógica de funcionamento dos sistemas fiscais.
A Sócia de Tax e membro do GT Tributário do Ibracon, Mariana Carneiro, destacou que o Brasil já possui uma base tecnológica avançada, com sistemas como o SPED e a nota fiscal eletrônica amplamente consolidados. “Isso coloca o país em uma posição diferenciada para enfrentar os desafios da reforma, comparado a outros que iniciam agora reformas eletrônicas”.
No entanto, a implementação da reforma vai impor evolução significativa. A nova dinâmica demandará integração entre sistemas empresariais e governamentais, maior uso de automação e um novo fluxo de apuração tributária, com processos como apuração assistida, conciliação em tempo real e split payment.
Marcos Hubner Flores, Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e Gerente de Projeto da Reforma Tributária do Consumo, avaliou que a reforma tributária busca integrar os sistemas da administração fiscal aos sistemas de gestão dos contribuintes, utilizando tecnologia para simplificar, automatizar e aumentar a transparência fiscal, transformando a lei em código
Além disso, a transição trará um período de convivência entre sistemas antigos e novos, exigindo atenção redobrada das empresas. Como destacado no painel, a CBS estará plenamente implementada já nos primeiros anos, enquanto ICMS e ISS continuarão coexistindo até 2032, aumentando a complexidade operacional.
“São muitos desafios tecnológicos que nós vamos enfrentar pela frente. É uma mudança de cultura muito importante, e vamos todos ter que auxiliar contribuintes e empresas e mudar a forma de pensar a apuração de tributos a partir da reforma. É realmente um processo disruptivo, e eu tenho certeza de que a classe contábil, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e os profissionais da contabilidade vão entregar para a sociedade aquilo que se espera, que é a devida orientação e acompanhamento nesse processo tão importante”, comentou Marcio Schuch, Vice-presidente de Inovação e Tecnologia do CFC.
Os materiais do evento e o vídeo dos painéis estão disponíveis em: www.ibracon.com.br/taxsummit
Por Comunicação Ibracon
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