7 de outubro de 2026
Terceiro e último encontro da jornada, realizado ontem, reuniu representantes do IAASB, mercado, imprensa e especialistas do Ibracon para discutir confiança, comparabilidade e qualidade das informações de sustentabilidade
O Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil realizou, ontem, 6 de outubro, o terceiro e último encontro do ESG Day 2026, encerrando uma jornada de três dias de debates sobre regulação, normas internacionais, preparação das empresas, valor das informações de sustentabilidade e asseguração.
A programação do último dia foi aberta com o painel “O Valor das Informações de Sustentabilidade para o Mercado e a Sociedade”, que reuniu Tom Seidenstein, presidente do IAASB; Amaro Gomes, membro do Board do IAASB; e Mauricio Colombari, membro do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon.
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de que as informações de sustentabilidade sejam relevantes, comparáveis e confiáveis para atender às necessidades dos usuários e contribuir efetivamente para a tomada de decisão.
“É muito importante ressaltar que as informações de sustentabilidade, da mesma forma que as informações financeiras tradicionais, precisam atender a alguns requisitos para serem realmente úteis. Elas precisam ser relevantes em termos da natureza da informação, comparáveis entre diferentes entidades e confiáveis. O relatório não pode ser percebido apenas pelo que uma empresa considera importante, precisa atender àquilo que os investidores necessitam”, afirmou Amaro Gomes.
A asseguração também esteve no centro do debate. Para Tom Seidenstein, a qualidade das informações divulgadas está diretamente relacionada à existência de processos capazes de aumentar a confiança dos usuários. “Um relatório de sustentabilidade sem uma asseguração de alta qualidade não nos dá o nível de confiança que o mundo exige. Mais especificidade e mais consistência melhoram a nossa prática e, consequentemente, contribuem para uma maior confiança nas informações divulgadas”, destacou.
Amaro Gomes ressaltou ainda que a evolução desse processo dependerá de aprendizado e aperfeiçoamento contínuos. “Não esperamos perfeição, nem que vamos atingir uma asseguração de alta qualidade já no terceiro ano. O que esperamos é um compromisso com a melhoria contínua. E isso acontece à medida que essas normas são utilizadas pelas empresas e que existe um processo constante de aprendizado e engajamento.”
Ao destacar a importância da interlocução com o mercado, ele também incentivou a continuidade de iniciativas como o ESG Day. “Eventos como este nos ajudam justamente a ouvir vocês e entender como podemos melhorar no futuro. Por isso, peço ao Ibracon que continue promovendo esses encontros, porque é dessa forma que conseguimos responder aos desafios que as pessoas enfrentam e permitir que o IAASB também desempenhe o seu papel.”
Mauricio Colombari abordou os desafios técnicos relacionados à asseguração de informações de sustentabilidade e a importância de uma estrutura normativa para apoiar esse processo. “A asseguração de informações de sustentabilidade traz muitos desafios. Temos uma grande quantidade de informações e, inclusive, questões relacionadas à cadeia de valor. Por isso, ter uma norma que estabeleça uma estrutura e aborde esses desafios do trabalho de asseguração é uma base muito consistente para o nosso trabalho. Precisamos entender como adaptar essas metodologias e, a partir delas, avançar para algo que seja cada vez mais claro e consistente para as empresas”, afirmou.
Segundo Colombari, os grupos de trabalho do Ibracon vêm atuando para contribuir com a aplicação consistente dessas normas no mercado brasileiro.
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Asseguração, investidores e confiançaO último painel da programação, “Asseguração e Confiança nos Relatórios de Sustentabilidade”, reuniu Carlos Takahashi, diretor na Anbima; Fabio Coelho, presidente da Amec; Kieran Mcmanus, membro do GT Capital Markets do Ibracon; Naiara Bertão, editora e repórter de ESG e Clima no Valor Econômico; e Renati Suzuki, membro do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon.
O debate colocou em perspectiva a demanda dos diferentes usuários das informações e os efeitos da disponibilidade, padronização e confiabilidade dos dados para investidores, empresas, mercado financeiro e sociedade.
Fabio Coelho chamou atenção para o impacto que a mudança de um ambiente obrigatório para um modelo voluntário pode ter sobre a disponibilidade das informações.
“A suspensão da aplicação obrigatória dos relatórios de sustentabilidade traz o risco de retomarmos um cenário de fragmentação. Para os investidores, a disponibilidade dessas informações é fundamental, porque, à medida que dados materiais e confiáveis são divulgados, eles passam a ser incorporados pelo mercado e ajudam a revelar riscos que antes não eram observáveis”, afirmou.
Na mesma linha, Renati Suzuki observou que um ambiente de divulgação mais amplo permitiria também um período de amadurecimento para empresas e usuários das informações.
“Esperava-se um ambiente com mais informações, ainda que houvesse um período de maturidade necessário para que tanto os usuários das informações quanto as entidades responsáveis por reportá-las pudessem compreender e amadurecer esse processo. Mas, quando passamos de um ambiente obrigatório para um ambiente voluntário, diminuímos o acesso e a disponibilidade dessas informações públicas”, destacou.
Ao abordar o papel da asseguração, Kieran Mcmanus explicou como a atuação de um profissional independente contribui para a avaliação da qualidade das informações.
“Quando você utiliza as normas de asseguração, você está utilizando um profissional independente que aplica uma metodologia disciplinada. Ele vai compreender o tema, entrar nos critérios de reporte, avaliar os riscos de distorção relevante sobre aquele relatório e obter evidências sobre o julgamento. E o auditor, como sempre, vai aplicar o ceticismo profissional, que é um tema importante quando se faz uma avaliação independente dos relatórios”, afirmou.
Para Carlos Takahashi, o mercado também precisa avançar no desenvolvimento dos profissionais e na compreensão da utilidade das informações de sustentabilidade.
“A empresa precisa saber por que está divulgando aquele relatório de sustentabilidade e, a partir daí, fazer a divulgação da melhor forma possível. Em breve, teremos dados históricos que vão demonstrar a consistência da estratégia do seu negócio, em que ponto você está considerando a questão da sustentabilidade e do ESG e que riscos isso vai trazer para a sua empresa”, disse.
Naiara Bertão destacou que a utilidade dessas informações ultrapassa o mercado financeiro e alcança outros públicos, entre eles a imprensa.
“É importante termos informação padronizada e assegurada. Acho que a asseguração é primordial para você ter uma comprovação de que a metodologia faz sentido, de que houve ali um esforço de fazer algo com metodologia séria. Isso é importante também para o avanço da própria trajetória do ESG e para a gente começar a entender o que as empresas estão fazendo, o que o mercado financeiro está fazendo, o que os bancos estão fazendo com relação a isso”, afirmou.
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O ESG Day 2026 foi estruturado em três encontros, realizados ao longo de três semanas.
A jornada começou em 22 de setembro, com os painéis “A agenda regulatória da sustentabilidade no cenário brasileiro” e “Além da obrigatoriedade: experiência dos pioneiros na adoção das IFRS S1 e S2”. As discussões trataram do ambiente regulatório, da adoção dos padrões internacionais e das experiências de empresas que já vinham avançando na preparação de seus reportes.
No segundo encontro, em 29 de setembro, os painéis “Perspectivas Globais para as Normas de Sustentabilidade” e “Preparando os Primeiros Relatórios Financeiros de Informações de Sustentabilidade” ampliaram o debate para o cenário internacional e para os desafios práticos da implementação dos CBPS 1 e 2 (IFRS S1 e S2), incluindo integração entre áreas, governança, controles, rastreabilidade das informações e preparação para a asseguração.
O encontro de 6 de outubro encerrou a programação trazendo para o centro da discussão os usuários dessas informações e o papel da asseguração na construção de confiança, conectando os diferentes temas tratados desde o início da jornada.
Ao longo dos três encontros, o ESG Day reuniu reguladores, normatizadores internacionais, representantes de empresas, investidores, profissionais da Auditoria Independente, especialistas em sustentabilidade e imprensa em torno dos desafios que acompanham a evolução das informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.
Por Comunicação Ibracon
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