Ibracon realiza o 2º dia do ESG Day e destaca os avanço das normas de sustentabilidade e os desafios da implementação pelas empresas - Ibracon
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Ibracon realiza o 2º dia do ESG Day e destaca os avanço das normas de sustentabilidade e os desafios da implementação pelas empresas

1 de outubro de 2026

Encontro realizado em 29 de setembro reuniu representantes de organismos internacionais, empresas e do Ibracon para discutir convergência entre padrões, integração das informações e preparação para a asseguração. O terceiro e último dia acontece em 6 de outubro

O segundo dia do ESG Day 2026 do Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil, realizado em 29 de setembro, aprofundou as discussões sobre a evolução das normas de sustentabilidade em âmbito internacional e os desafios práticos enfrentados pelas empresas na preparação de seus primeiros relatórios alinhados aos CBPS 1 e 2 (IFRS S1 e S2).

Na abertura do encontro, o presidente do Ibracon, Sebastian Soares, destacou que a confiança nas informações divulgadas depende da atuação coordenada de diferentes agentes do ecossistema de governança. “Quando ocorre uma fraude ou falha, é comum que os primeiros dedos sejam apontados para o contador, o auditor independente e o regulador. Mas a governança de uma companhia envolve diversos agentes. Por isso, precisamos assumir, juntos, a responsabilidade pelo ecossistema e fortalecer a confiança em rede”, afirmou.

A programação foi dividida em dois painéis. O primeiro, “Perspectivas Globais para as Normas de Sustentabilidade”, reuniu Danielly Mello Freire, Country Lead GRI Brasil; Elizabeth Seeger, membro do ISSB; Shirley Silva, diretora de Desenvolvimento Profissional do Ibracon; e Tadeu Cendon, membro do board do IASB.

O debate apresentou um panorama internacional da adoção dos padrões de sustentabilidade e destacou a crescente convergência entre diferentes frameworks globais. Um dos pontos centrais foi a necessidade de uma linguagem comum que permita a investidores e demais stakeholders comparar informações de sustentabilidade em escala global.

Segundo os participantes, a conectividade entre as informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e as demonstrações financeiras tende a ganhar cada vez mais importância, considerando que ambas integram um mesmo conjunto de informações voltadas à tomada de decisão.

Elizabeth Seeger destacou que a criação do ISSB respondeu diretamente a uma demanda do mercado por informações mais confiáveis e comparáveis. “Sabemos que o mercado brasileiro já é uma liderança em sustentabilidade e na divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade, mas ainda há a necessidade do mercado por informações confiáveis. O ISSB não foi criado pelos reguladores para simplesmente estabelecer normas de forma isolada. Ele foi criado especificamente em resposta a uma necessidade do mercado. Os investidores precisavam de informações para tomar suas decisões, e nós observamos a complexidade dos diferentes requisitos de divulgação que existiam”, afirmou.

Durante o painel, também foi destacado que mais de 45 jurisdições já utilizam ou estão introduzindo os padrões ISSB em seus marcos regulatórios, representando aproximadamente 55% do PIB global.

Para Shirley Silva, a agenda de sustentabilidade deve continuar sendo acompanhada e apoiada pelas instituições brasileiras.
“A mensagem-chave do Ibracon é que mantemos a nossa intenção de apoiar a manutenção da agenda de elaboração de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade para as companhias brasileiras, reconhecendo a importância dessa agenda para os diversos stakeholders e para a tomada de decisões”, afirmou.

Tadeu Cendon ressaltou que o processo de preparação dos relatórios também pode ampliar a compreensão das próprias empresas sobre seus negócios. “Precisamos entender o que o relatório de sustentabilidade pode trazer de benefício para a elaboração das demonstrações financeiras. Hoje, as empresas passam a ter um conhecimento muito maior sobre seus próprios negócios, riscos e impactos, muitas vezes justamente a partir do exercício de preparação desses relatórios. Uma melhoria do processo contábil pode levar a melhores insights sobre o negócio”, destacou.

Danielly Mello Freire também chamou atenção para o uso das informações de sustentabilidade além da comunicação externa.
“Um relato de sustentabilidade não deve ser visto apenas como um mecanismo de comunicação ou de marketing. E também não é uma ferramenta destinada exclusivamente aos investidores. A informação de sustentabilidade pode ser utilizada pela própria organização para compreender seus impactos, aprimorar sua gestão e contribuir para a sustentabilidade e a continuidade daquele negócio”, afirmou.

Experiências práticas na preparação dos primeiros relatórios

O segundo painel, “Preparando os Primeiros Relatórios Financeiros de Informações de Sustentabilidade”, reuniu Alessandra Segatelli, diretora de Controladoria da Natura; Andrea Barana, gerente Contábil e Reporting da C&A Brasil; Audrey Barbosa, gerente de Sustentabilidade da JHSF; Carlos Carvalho, gerente de Divisão em Sustentabilidade da Grendene; Carolina Chung, coordenadora de Riscos Corporativos da B3; e Viviene Bauer, membro do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon.

Os relatos mostraram que a implementação dos CBPS 1 e 2 vai além da preparação de um documento e exige integração entre áreas como finanças, sustentabilidade, gestão de riscos, controles internos e operações. “As empresas que estão produzindo os primeiros relatórios alinhados ao ISSB percebem que o desafio vai muito além de simplesmente redigir um relatório. Trata-se, muitas vezes, de construir processos, estabelecer governança, integrar diversas áreas e fortalecer os controles internos para aumentar a confiabilidade dos dados que, posteriormente, serão objeto de asseguração por uma auditoria independente”, explicou Viviene Bauer.

Para Alessandra Segatelli, um dos aprendizados do processo foi justamente a necessidade de maior integração entre áreas.
“No início, a gente já imagina que esse é um projeto bastante transversal, que envolve muitas áreas. Mas o detalhamento de papéis e responsabilidades já foi uma das grandes surpresas, porque, na prática, é um desafio fazer essa divisão. E, mesmo sendo uma asseguração limitada, eu diria que, aqui na empresa, pela trajetória e pela experiência da Natura com relatórios de sustentabilidade, tivemos, pela primeira vez, essa união do olhar de finanças com o olhar de sustentabilidade”, afirmou.

Andrea Barana destacou a aproximação entre áreas e a importância da gestão de riscos para definir informações relevantes.
“Uma das grandes surpresas dessa jornada foi perceber como áreas que nem sempre trabalhavam em conjunto passaram a se aproximar para alcançar um objetivo comum. Ao mesmo tempo, o maior desafio foi definir, em meio a tantas informações e áreas envolvidas, qual é o escopo necessário e quais dados realmente são fundamentais para a tomada de decisões e para as valorações. A gestão de riscos foi essencial nesse processo, ajudando a estabelecer as premissas e a garantir informações suficientes e de qualidade para a Controladoria”, afirmou.

Carlos Carvalho ressaltou como a conexão entre sustentabilidade e outras áreas da organização pode trazer novas leituras sobre os dados. “É claro que existem desafios, principalmente de entendimento. Mas acredito que a grande surpresa também está em perceber que alguns números e informações que, do ponto de vista da sustentabilidade, pareciam não aparecer de forma tão clara, passaram a ganhar outra dimensão quando conectados às demais áreas da companhia”, destacou.

Audrey Barbosa explicou que, no caso da JHSF, o reporte foi consequência de um processo mais amplo de análise de riscos e oportunidades climáticas. “O reporte acaba sendo, para nós, uma consequência de toda essa mobilização para análise das mudanças climáticas que já vinha acontecendo há algum tempo na companhia. Nós tivemos um investimento adicional em uma plataforma de mudanças climáticas, especificamente para a análise desses fatores. Contamos também com o apoio de algumas consultorias externas e, internamente, trabalhamos na construção, no mapeamento e na revisão de riscos e oportunidades”, afirmou.

Já Carolina Chung chamou atenção para a necessidade de fortalecer os processos que sustentam as informações divulgadas. “Gosto muito de pensar no desafio que foi o IFRS S1 e S2 de uma maneira bastante simples: como transformar essas informações em dados que sejam confiáveis, para que eu consiga divulgá-los e para que as pessoas possam se apoiar nessas informações? Então, quando olhamos para as pessoas que trabalham na segunda linha de gestão de riscos e controles, percebemos que o relatório é quase a ponta final de um iceberg, uma formalização de todo esse processo.”

Segundo Carolina, controles internos, auditoria interna e comitê de auditoria também precisam atuar de forma integrada para fortalecer a confiança nas informações divulgadas e em seus impactos para o mercado.

Último encontro será em 6 de outubro

O terceiro e último dia do ESG Day 2026 será realizado na próxima terça-feira, 6 de outubro, das 9h às 12h, dando continuidade às discussões sobre o valor das informações de sustentabilidade para o mercado e a sociedade e sobre asseguração e confiança nos relatórios de sustentabilidade.

O evento irá prover gratuitamente 9 pontos no Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para os profissionais da Contabilidade que atenderem a pelo menos 75% da programação dos três dias.

Clique aqui e acesse o material apresentado durante o evento.

Em breve o vídeo do webinar estará disponível aqui no Portal.

Por Comunicação Ibracon