Ibracon abre ESG Day 2026 com debates sobre regulação e adoção das IFRS S1 e S2 - Ibracon
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Ibracon abre ESG Day 2026 com debates sobre regulação e adoção das IFRS S1 e S2

25 de setembro de 2026

Primeiro dos três encontros reuniu reguladores, especialistas e empresas pioneiras na adoção das normas de sustentabilidade; programação continua em 29 de setembro e 6 de outubro

O Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil deu início, no dia 22 de setembro, ao ESG Day 2026, evento online que, ao longo de três encontros, reúne reguladores, especialistas, representantes de empresas e profissionais do mercado para discutir os avanços e desafios relacionados às informações de sustentabilidade. Os próximos painéis do evento acontecerão nos dias 29 de setembro e 6 de outubro.

A abertura do primeiro encontro contou com Sebastian Soares, presidente do Ibracon, e João Carlos Castilho Garcia, vice-presidente Técnico do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Essa edição do ESG Day ocorre em um momento de mudanças na agenda regulatória brasileira e amplia o debate sobre o papel das informações de sustentabilidade para empresas, investidores e demais usuários.

Ao abrir a programação, Sebastian destacou a proposta de reunir diferentes agentes envolvidos na preparação, regulação e acompanhamento dessas informações. “Quando desenvolvemos o conteúdo programático do evento, pensamos justamente em trazer diferentes perspectivas. Teremos a oportunidade de ouvir preparadores, reguladores e fiscalizadores, tanto em âmbito nacional quanto internacional”, afirmou.

Agenda regulatória em debate

O primeiro painel, “A agenda regulatória da sustentabilidade no cenário brasileiro”, discutiu a evolução do ambiente regulatório no País, a convergência aos padrões internacionais, a agenda do Banco Central do Brasil, o Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda e a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Participaram Eduardo Flores, professor da FEA/USP; Kathleen Krause, chefe adjunta do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central do Brasil (BCB); Nathalie Vidual, coordenadora-geral de Registro e Infraestrutura de Mercado no Ministério da Fazenda; Osvaldo Zanetti, gerente de Normas Contábeis da CVM; e Reinaldo Oliari, coordenador do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon.

Entre os pontos discutidos esteve a necessidade de informações de sustentabilidade padronizadas, comparáveis e confiáveis para apoiar a tomada de decisões e a gestão de riscos.

Nathalie Vidual destacou a relação entre as informações ambientais e climáticas e as decisões econômicas. “Os relatos de sustentabilidade são uma forma de transformar o desempenho ambiental e climático em informação econômica que é capaz de orientar os investimentos, ampliar o acesso ao capital e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras.”

Já Esduardo Flores chamou a atenção para a necessidade de preparação dos profissionais diante das novas demandas. “Não dá para imaginar que a capacitação em sustentabilidade será feita de forma passiva. É preciso um processo contínuo de formação, que permita aos profissionais compreender esse novo repertório e, principalmente, conectar as informações socioambientais aos impactos financeiros, como ativos, passivos, receitas e despesas.”

Ao abordar o cenário regulatório, Osvaldo Zanetti explicou os efeitos da Resolução CVM 244 sobre o reporte de sustentabilidade.
“A Resolução CVM 244 revogou a obrigatoriedade de divulgação do relatório de sustentabilidade conforme a Resolução 193, mas estabeleceu que, quando a companhia arquivar esse relatório, ele deve seguir os termos da 193. Por isso, é importante deixar claro qual framework está sendo utilizado e evitar referências que possam atrair o escopo de aplicação da 244.”

Reinaldo Oliari ressaltou que a discussão vai além do cumprimento de requisitos regulatórios e envolve a utilidade das informações para diferentes públicos. “Quando falamos de agenda regulatória, emissões de gases de efeito estufa e dos compromissos que o Brasil assumiu, é importante discutir a importância dos relatórios de sustentabilidade para as empresas com registro de companhia aberta no mercado brasileiro, não apenas para investidores, mas para todos os demais stakeholders que fazem uso dessas informações.”

O debate também tratou do papel da Auditoria Independente e da asseguração no fortalecimento da confiança sobre as informações de sustentabilidade, contribuindo para que os dados divulgados estejam respaldados por evidências e reflitam de forma consistente as práticas e os resultados das organizações.

Experiência das empresas pioneiras

O segundo painel, “Além da obrigatoriedade: experiência dos pioneiros na adoção das IFRS S1 e S2”, reuniu Alexsandro Tavares, head de Controladoria e Controles Internos na Renner; Clayton Codo, membro do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon; Leticia Ferreira Rodrigues, coordenadora de Reportes Financeiros na Vale; e Odivan Cargnin, CEO da Irani.

Os participantes compartilharam experiências relacionadas à implementação das IFRS S1 e S2 e aos impactos das normas nos processos internos, na gestão e na comunicação das companhias com o mercado.

Clayton Codo destacou que um dos principais desafios está na integração entre diferentes áreas da organização. “Um dos principais desafios da adoção das normas de sustentabilidade é integrar todas as áreas da companhia, diante de linguagens diferentes e da necessidade de uma mudança de cultura. É preciso entender como as áreas se organizam, quais são as principais dificuldades e o que muda efetivamente na gestão, nos controles e na tomada de decisão, além de acompanhar a evolução dos processos internos e a comparabilidade dos novos relatórios publicados no mercado.”

Na Irani, segundo Odivan Cargnin, a sustentabilidade já estava incorporada à estratégia da companhia antes da adoção das normas.
“Na Irani, temos um histórico de adoção da sustentabilidade e dos relatórios de reporte vinculado à estratégia da empresa. O relatório S2 veio complementar os reportes ao trazer uma visão prospectiva. A grande novidade é justamente poder olhar para o futuro e mostrar, de forma mais concreta, quais são os riscos e oportunidades para a empresa.”

Leticia Ferreira Rodrigues também destacou a importância de o tema estar inserido na estratégia empresarial. “A sustentabilidade já fazia parte da agenda estratégica da Vale. A norma não é o que faz a empresa fazer; é preciso que esse tema esteja incorporado ao dia a dia da companhia. Quando isso já existe, há maior facilidade de engajar as diferentes áreas e fazer o processo acontecer.”

Para Alexsandro Tavares, a experiência de um segundo ciclo de reporte trouxe novas possibilidades de aprimoramento. “O segundo ano de reporte nos permitiu comparar o que mudou de um ano para o outro. Se no primeiro ciclo o foco estava na construção da estrutura, no entendimento da norma e no nivelamento técnico dos times, agora temos uma base mais madura para aprimorar a organização dos dados, incorporar as expectativas dos usuários e tornar o relatório mais estruturado e útil.”

Ao longo dos dois painéis, as discussões evidenciaram a crescente integração entre informações de sustentabilidade, gestão estratégica e demonstrações financeiras, além da importância da comparabilidade e da preparação para processos de asseguração.

O ESG Day 2026 continua no dia 29 de setembro, com debates sobre perspectivas globais para as normas de sustentabilidade e preparação dos primeiros relatórios financeiros de informações de sustentabilidade. O encerramento será realizado em 6 de outubro, com discussões sobre o valor dessas informações para o mercado e para a sociedade e o papel da asseguração no fortalecimento da confiança.

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Por Comunicação Ibracon