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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Certificações e bolsa estimulam adoção de boas práticas

Por Andrea Vialli

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A última década revelou um número inédito de novos selos, métricas e iniciativas para afirmar ou reconhecer os atributos de sustentabilidade empresarial. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) identificou no Brasil a existência de mais de 30 selos e sistemas de certificação ligados a sustentabilidade.

O mercado de capitais também já incorporou a questão em sua agenda, com duas carteiras de ações que valorizam empresas atentas ao tema: o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), lançado em 2005, e o Índice Carbono Eficiente (ICO2), criado em 2009, que reúne companhias que declaram suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Também aumenta a cada ano o número de prêmios e rankings que valorizam empresas empenhadas em ir além das lixeiras coloridas para coleta seletiva. A dúvida é se essa corrida em prol do chamado triple bottom line está levando as empresas a rever suas práticas e avançar no tema.

A julgar pelo empenho das companhias em se manter nos índices de sustentabilidade das bolsas de valores, a resposta é positiva. A criação dos índices de empresas com boas práticas sociais, ambientais e de governança corporativa tem incentivado as companhias a mobilizar suas equipes para responder aos questionamentos provocados por essas instâncias. Na avaliação de Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa, as empresas de capital aberto já criaram a cultura de reportar suas práticas de sustentabilidade. "Hoje 253 empresas relatam suas práticas de sustentabilidade em relatórios e as que não o fazem, justificam o porquê de não fazerem relatórios sobre o tema. Isso é mais da metade das empresas que negociam ações na bolsa brasileira", diz Favaretto.

A preocupação em estar afinado com o tema não é gratuita. O ISE da BM&F Bovespa tem mostrado desempenho superior a carteiras "tradicionais" da casa. O ISE fechou o mês de janeiro de 2013 com alta de 0,72%, enquanto o Ibovespa sofreu uma desvalorização de 1,95%. Comportamento semelhante ocorreu no acumulado dos últimos 12 meses: entre fevereiro de 2012 a janeiro de 2013, o ISE registrou alta de 14,55%, enquanto o Ibovespa sofreu queda de 5,25%. O estudo "O Valor do ISE", lançado pela BM&FBovespa em novembro do ano passado, aponta para uma valorização de 130,27% do ISE desde 30 de novembro de 2005, quando a carteira foi lançada. No mesmo período, a valorização do Ibovespa foi de 80,08%.

"Esse é um indicativo concreto de que práticas de sustentabilidade e governança corporativa estão mostrando seu valor em termos de rentabilidade" diz Favaretto. O desempenho do ISE começou a "descolar" do Ibovespa quando estourou a crise financeira internacional, em setembro de 2008. No pico da crise, a queda do Ibovespa foi maior que a do ISE.

Hoje o índice é formado por 51 ações de 37 companhias, pertencentes a 16 setores econômicos. Empresas que compõem a carteira relatam o apreço de investidores institucionais, principalmente fundos de pensão europeus, pelas práticas de sustentabilidade das empresas brasileiras. No entanto, fazer parte do ISE, por si, não eleva o valor das ações das empresas que o compõe. "Nossa luta diária é fazer o investidor perceber isso como um benefício econômico. De toda forma, o ISE tem cumprido o papel de ser um instrumento de gestão para as empresas", diz.

Hoje o ISE é formado por 51 ações de 37 companhias, pertencentes a 16 setores econômicos

O Itaú, que está na carteira do ISE desde o seu lançamento, mobiliza uma equipe de mais de 100 pessoas ao longo do ano para prestar informações ao núcleo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) responsável por aplicar os questionários do ISE, que contemplam dezenas de perguntas ligadas às práticas ambientais, sociais e de governança das empresas. O mesmo ocorre para manter a presença no Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI), da Bolsa de Nova York. Pioneiro em reunir papéis de empresas com compromissos socioambientais, o DJSI inspirou a criação do ISE da BM&FBovespa e de outras carteiras parecidas ao redor do mundo. O Itaú Unibanco está presente na carteira americana desde sua criação, em 1999. Hoje nove companhias representam o Brasil na carteira - além do Itaú, estão presentes Bradesco, Cemig, Embraer, Petrobras, Redecard, Banco do Brasil, Duratex e Itaúsa.

"Tanto o ISE quanto o Dow Jones são direcionadores para nossa atuação na área de sustentabilidade e são guias para avaliar, frente ao mercado, o desempenho nessas questões", afirma Denise Nogueira, superintendente de sustentabilidade do Itaú Unibanco. Segundo ela, o processo de responder às demandas dos dois índices traz à tona avaliações sobre onde é possível avançar, dentro da estratégia socioambiental do banco. Ao longo dos anos, diz, fazer parte dos índices permitiu avanços na área de gestão ambiental (criação de metas para redução do consumo de água, energia elétrica, materiais e de geração de resíduos) e também ajudou a aperfeiçoar a política corporativa de avaliação de risco socioambiental.

Na Even, primeira empresa do setor de construção e incorporação a fazer parte do ISE, a participação na carteira ajudou a dar um norte para iniciativas de sustentabilidade, como a gestão dos resíduos nos canteiros de obras e o mapeamento das emissões de gases de efeito estufa na cadeia de negócios. A partir da entrada no ISE, em 2009, a construtora estruturou um comitê de sustentabilidade, do qual fazem parte diretores de todas as áreas, formulou um código de conduta e passou a apostar em diferenciais de sustentabilidade que fossem mais visíveis aos olhos do público, como a certificação Acqua, de qualidade ambiental, para as novas edificações erguidas em São Paulo.

"Todo empreendimento residencial lançado em São Paulo a partir de agosto de 2012 trará o selo Aqua, que é uma forma de fazer o mercado e o consumidor perceberem que a sustentabilidade é um valor tangível", diz Dany Muszkat, diretor financeiro e de relações com investidores da Even. O selo verde Aqua, concedido pela Fundação Vanzolini, ligada à Poli-USP, será concedido a 13 empreendimentos em construção.

Além da presença nos índices da bolsa de valores, buscar certificações e selos de responsabilidade corporativa é outra estratégia adotada pelas companhias para mostrar que estão em sintonia com as novas demandas emergentes. A fabricante de papel e celulose Suzano percebeu que investir em selos verdes era um das maneiras de comunicar aos clientes, em especial compradores do exterior, que no Brasil não se cortava mata nativa para fabricar papel - ao contrário de concorrentes asiáticos. A empresa buscou então o selo FSC (sigla em inglês para Conselho de Manejo Florestal), que atesta que o produto de origem florestal tem padrões rígidos de controle ambiental e social. Depois, a companhia investiu em outras certificações, como o Cerflor, também voltado a produtos de origem florestal, e foi a primeira do setor de papel e celulose a ostentar o selo de pegada de carbono emitido pela britânica Carbon Trust.

"Essas certificações vão além das exigências legais nas áreas social e ambiental e estão em sintonia com os principais tratados internacionais. Ou seja, funcionam como um atestado independente de que houve uma mudança de paradigma na gestão da empresa", afirma Alexandre Di Ciero, gerente executivo de sustentabilidade da Suzano.

Segundo ele, as demandas levantadas pelo processo de certificação do FSC e pela presença no ISE da BM&FBovespa serviram para aprimorar, por exemplo, o diálogo com as comunidades que vivem no entorno das fábricas e das áreas de produção de eucalipto.

Para Fabíola Zerbini, secretária executiva do FSC Brasil, a certificação já se tornou uma ferramenta de gestão para as empresas.

Fonte: Valor Econômico-20/02/2013

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