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Quinta-feira, 04 de Agosto de 2022

Só duas em cada 10 empresas do Índice Brasil 100 da B3 detalham riscos ESG em seu balanço

Levantamento feito pelo Ibracon a partir de dados de 95 companhias que integravam, em 17 de abril deste ano, o índice Brasil 100 (IBrX 100) da B3 mostrou que apenas 29 delas (30%) apontavam seus passivos ambientais no balanço e apenas 21 delas (ou 22% do total) chegaram a algum tipo de risco ligado às questões de ESG.

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Levantamento feito pelo Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon) a partir de dados de 95 companhias que integravam, em 17 de abril deste ano, o índice Brasil 100 (IBrX 100) da B3 mostrou que apenas 29 delas (30%) apontavam seus passivos ambientais no balanço e apenas 21 delas (ou 22% do total) chegaram a algum tipo de risco ligado às questões de ESG.
 
As informações constam dos relatórios de demonstrações financeiras relativas ao ano fiscal de 2021. O índice Brasil 100 da B3 reúne os 100 ativos mais negociados e representativos do mercado de ações. Os dados revelam que dentre as empresas que apontaram risco em seus balanços, 15% reportaram questões ambientais; 5%, socioambientais; e 2% não especificaram.
 
Ao olhar com mais detalhe, apenas 18% divulgaram registro de provisões para desmontagem de ativos, saída, revitalização e/ou prejuízo (redução do valor contábil de um ativo, em decorrência de eventos que diminuam a expectativa de seu retorno financeiro). Destas, a maior parte (59%) não divulgou nas notas explicações a existência de riscos ambientais.
 
- O estudo mostra que as empresas ainda não têm o hábito de avaliar as questões ambientais e sociais como riscos relevantes, como são tratados costumeiramente os relacionados ao mercado, câmbio, taxa de juros e crédito - explica Rogério Mota, diretor Técnico do instituto.
 
Ainda segundo o levantamento do Ibracon, 31% mencionaram que possuem litígios atrelados a processos administrativos e/ou judiciais relacionados ao meio ambiente; e 16% divulgaram ter compromissos contratuais referentes a metas de sustentabilidade ou questões ESG.
 
Mota comenta que os riscos publicados são, geralmente, os já materializados, e a não divulgação pela empresa pode ser decorrente de vários fatores, como não ser material, não existir ou ter efeitos considerados de baixa relevância para os fins contábeis.
 
Casos materiais são provisórios para desmontagem de ativos, para perdas prováveis com ações ambientais e eventual necessidade de indenização de processos cíveis.
 
- A não divulgação em DCs é uma questão de requerimento da norma contábil. Importante ressaltar que, quando falamos de mudanças climáticas, os stakeholders esperam que sejam divulgados riscos e oportunidades relacionadas às mudanças climáticas. Ou seja, os riscos de mudanças climáticas podem ter impactos diretos, como por exemplo, na agricultura e pecuária - diz.
 
Ele lembra que pode haver mudanças regulatórias que impactem significativamente o modelo de negócios das empresas, como no caso de indústrias que estão ligadas aos combustíveis fósseis, seja pela produção e distribuição, seja pela produção e distribuição, seja por produção de veículos com motores a combustão.
 
Por outro lado, também há oportunidades, citando como exemplo a indústria de veículos elétricos ou que usam outras tecnologias que são viáveis economicamente e não poluam.
 
Mota ressalva que as normas contábeis possuem critérios e requerimentos específicos de divulgação relacionada a passivos ou passivos contingentes de forma geral, o que não significa que a não divulgação implica em um não cumprimento dessas normas, mas sim, indica a necessidade de uma complementação das informações sobre esses riscos e oportunidades por meio de relatórios de sustentabilidade que são considerados complementares aos DCs.
 
Segundo o Ibracon, não foram objeto do estudo dos relatórios de administração, de sustentabilidade ou de auditores independentes, dentre outros.
 
Também não fez parte da forma e do conteúdo das informações divulgadas nas demonstrações contábeis analisadas, pois seguem requerimentos específicos de reconhecimento, mensuração e divulgação estabelecidos pelas normas contábeis aplicáveis.
 
Investidores, clientes, fornecedores e outros stakeholders têm demandado das empresas cada vez mais informações que permitem avaliar os riscos e oportunidades presentes relacionados às questões referentes ao ESG e como elas estão respondendo a essas demandas.
 
- Os dados levantados sugerem a necessidade de normalização que estabeleça forma e conteúdo de divulgação das questões de ESG, permitindo a elaboração de informações que se aproximam às necessidades dos stakeholders, além de permitir consistência e comparabilidade entre diversas empresas, assim como acontece com as demonstrações contábeis - explica o diretor.
 
Padronização de divulgação
 
Para facilitar a padronização de divulgação sobre sustentabilidade, no Brasil, está sendo criado o Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), que será um comitê "irmão" do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). O objetivo é ajudar na elaboração de normas pelas entidades reguladoras brasileiras, levando sempre em conta a adoção dos padrões internacionais editados pelo International Sustainability Standard Board (ISSB).
 
Uma das preocupações é a chamada prática da lavagem verde, na qual organizações divulgam informações que passam a imagem de ter práticas sustentáveis, enquanto sua realidade e ações no dia a dia não refletem isso.
 
- A existência de normas internacionais de divulgação para todos os pilares referentes ao tema e a necessidade de asseguração por um auditor independente são fundamentais para promover uma informação de qualidade e que atenda às necessidades dos diversos stakeholders - finaliza Mota.
 
Fonte: Yahoo! (Brasil) - 02/08/2022

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