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Quinta-feira, 05 de Maio de 2022

Como as altas de juros nos EUA e no Brasil afetam a economia do País

Duas decisões anunciadas nesta quarta-feira, 4, têm impacto direto e prolongado sobre a economia brasileira.

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Duas decisões anunciadas nesta quarta-feira, 4, têm impacto direto e prolongado sobre a economia brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) definiram as novas taxas de juros básicas no Brasil e nos Estados Unidos. E, com a inflação galopando, tanto aqui como lá, o movimento é de alta.
 
No Brasil, a taxa básica, a Selic, passou dos atuais 11,75% para 12,75% ao ano. A dúvida é até onde vai esse ciclo de alta. A maior parte das instituições financeiras consultadas pelo Estadão/Broadcast prevê mais uma alta de 0,5 ponto nos juros, levando a Selic para 13,25% e parando aí. Mas essas previsões vêm subindo nos últimos meses, ao ritmo de uma alta de preços que não dá sinais de trégua. O banco Credit Suisse já fala em uma taxa de juros de 14%, para tentar controlar a inflação.
 
Nos EUA, a taxa de referência subiu 0,5 ponto porcentual, do atual patamar entre 0,25% e 0,5% ao ano para 0,75% a 1% ao ano, após a decisão do Federal Reserve anunciada nesta quarta. Comparado ao juro brasileiro, é um patamar ainda muito baixo. Mas o ponto é que o Fed está apenas no início do ciclo de altas. Os analistas projetam que essas taxas devem subir para patamares entre 3% e 3,5% ao ano. Mas não estão descartados números ainda maiores, se a inflação, que está nos patamares mais altos em 40 anos, não começar a ceder.
 
Como esses aumentos podem afetar a economia brasileira? No caso da Selic, o efeito é direto. Juros mais altos tornam o crédito mais caro. E isso inibe o consumo - com menos consumidores indo às compras, a tendência é de os preços baixarem, ou subirem menos, reduzindo assim a inflação.
 
Mas isso também afeta, por exemplo, os investimentos. Uma empresa que pretendia investir em expansão, ou na compra de algum equipamento, acaba postergando os planos, à espera de taxas de juros melhores. Isso acaba esfriando a economia. Um dos efeitos é, por exemplo, a falta de criação de empregos.
 
Nos investimentos, também, há efeitos diretos. Com juros baixos, como o Brasil vivia há bem pouco tempo, há um estímulo para se aplicar no setor produtivo. Isso pode ser visto na Bolsa, que bateu recordes de atração de novos investidores. Mas, com os juros nas alturas, faz pouco sentido arriscar, e as pessoas físicas, principalmente, voltaram com força para a renda fixa. Por que se arriscar em colocar o dinheiro em uma empresa, via ações, se o Tesouro Direto, só como exemplo, garante um pagamento de mais de 5% ao ano acima da inflação?
 
O aumento dos juros americanos também respinga na economia brasileira. Os títulos do Tesouro americano são considerados os mais seguros do mundo, papéis de referência global. Quando passam a pagar mais aos investidores, a tendência é todo o mundo correr para lá. E isso retira dinheiro dos emergentes, Brasil incluído - onde o risco do investimento é muito maior. Portanto, para atrair recursos do exterior, os bancos centrais dos emergentes precisam oferecer taxas de juros cada vez mais altas, o que acaba deprimindo a economia.
 
Menos dinheiro vindo de fora também tem o efeito de valorizar a cotação do dólar em relação ao real. E isso pode elevar a inflação, já que os produtos importados ficam mais caros.
 
Se as taxas de juros americanas subirem mais do que o atualmente esperado, o estrago pode ser grande. O Credit Suisse já fez um alerta para o potencial de deterioração do cenário brasileiro caso o Fed resolva fazer um aperto monetário mais forte. Em relatório, o banco apontou que uma alta das taxas dos títulos americanos até o nível de 4,5% - acima do cenário base atual, de 3,25% - seria suficiente para aumentar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023 dos 4,4% agora estimados para 4,9%, acima do teto da meta (4,75%).
 
Ou seja, é preciso ficar de olho nas indicações dos passos futuros que serão dadas nesta quarta tanto pelo Fed quanto pelo BC brasileiro. Mas o cenário para a economia brasileira, dado todo esse quadro, não é dos mais positivos.
 
Fonte: Estadão - 04/05/2022

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