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Terça-feira, 21 de Julho de 2020

Estados que agiram contra a covid desde cedo tiveram perda econômica menor

Por Marina Barbosa

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A crise do novo coronavírus deve provocar um baque de 5,95% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo os analistas ouvidos pelo Boletim Focus. Porém, esse tombo não deve ocorrer de maneira uniforme pelo país. É que as perdas econômicas causadas pela pandemia são mais profundas nos estados que registram uma maior incidência de casos e de óbitos decorrentes da covid-19.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC) e nas taxas de incidência e de mortalidade do novo coronavírus medidas pelo Ministério da Saúde, explica que a civid-19 chegou a causar uma perda de 15% na atividade econômica brasileira em abril. Mas provocou uma retração muito maior nos estados que não conseguiram conter o avanço do vírus no início da pandemia.

O Amazonas, que chocou o mundo com as imagens dos enterros coletivos, por exemplo, registrou um baque econômico de 21,3% em abril e ainda amargou uma perda de 18,6% em maio, quando a economia brasileira começou a dar sinais de recuperação. Da mesma forma, o Ceará, que adotou algumas das medidas de isolamento social e algumas das taxas de contágio mais duras do país, viu sua economia retrair cerca de 15% entre abril e maio.

Por outro lado, a economia de Goiás registrou perdas de apenas 1,5% e 2,2% nos dois primeiros meses de pandemia. O estado só viu os casos de coronavírus dispararem depois de junho, quando caiu o índice de distanciamento social. A lógica é a mesma em Minas Gerais, que demorou a sentir o avanço do novo coronavírus e, por isso, sofreu uma retração econômica de 5,4% e 3,7% no início da quarentena.

“Os estados com pior desempenho nas variáveis do Ministério da Saúde também são os que tiveram pior desempenho da atividade econômica medida pelo IBC-Br. No outro extremo, os estados que têm situações menos graves na saúde sentem menos o impacto econômico”, destacou Marcel Balassiano, pesquisador da área de Economia Aplicada da FGV/Ibre, que analisou a situação dos 13 estados brasileiros cuja atividade econômica é medida pelo IBC-Br.

O pesquisador prefere não cravar o motivo dessa relação, já que ainda há muitas incertezas sobre a crise. Mas os dados também sugerem que o tamanho do baque econômico não está associado à intensidade das medidas de distanciamento social. “A perda econômica é inevitável, fechando ou não as atividades. Agora, o desempenho na área de saúde acaba sendo pior sem o distanciamento”, frisa Balassiando, que classifica as medidas de isolamento social como corretas, “dado que esta é uma crise de saúde, e não uma crise puramente econômica”.

O economista lembra, porém, que o tamanho da crise causada pelo novo coronavírus também depende de outros fatores, como o tamanho da população e a formação da matriz econômica de cada estado. São Paulo, por exemplo, é o epicentro da pandemia no Brasil. Porém, não tem uma taxa de incidência e de óbitos por mil habitantes tão alta quanto estados como o Amazonas. “E a economia paulista tem uma participação maior da indústria, que não foi tão afetada pelo isolamento social quanto os serviços, que representam cerca de 70% da economia nacional e mais do que isso em estados como o Rio de Janeiro”, destaca.

Balassiano lembra também que todos esses indicadores ainda podem mudar, já que o coronavírus segue avançando de forma desigual pelo país e, por enquanto, os dados econômicos só medem os impactos até maio. “A palavra que define essa crise é incerteza. Incerteza sobre o vírus, a economia, a recuperação. Então, esse é o retrato dos dados disponíveis”, ponderou.

Segundo ele, devido às especificidades de cada estado, a retomada econômica também vai ocorrer de forma desigual país afora. E alerta que, como o mercado de trabalho está relacionado à atividade econômica, o avanço do desemprego deve ser maior nos estados que sentiram mais o baque econômico da pandemia.

Fonte: Jornal Correio Braziliense - 21/07/2020

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