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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019

“O Brasil precisa se tornar competitivo”, diz Marcos Lisboa

Tags:conferencia2019

Presidente do Insper criticou o excesso de gasto público e salientou a necessidade de melhorar o ambiente de negócios

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O economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, ministrou a palestra “Cenário Econômico”, no primeiro dia da 9ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, que o Ibracon – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil realiza hoje e amanhã, no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Lisboa alertou que o Brasil está ficando para trás: “A gente aproveitou pouco os anos 2000”, disse. “Foi um período em que o mundo foi muito bem: os países emergentes fora da América Latina cresceram 127% em 10 anos, os Estados Unidos cresceram 48% e nós crescemos somente 18%”, afirmou.

Na avaliação de Marcos Lisboa, nossa dificuldade em crescer e sair da pobreza deve-se, sobretudo, à falta de competitividade: “Gastamos muito com Educação, mas gastamos mal. Não temos competividade”. E acrescentou: “O brasileiro tem 25% da produtividade de um norte-americano e metade da produtividade média de um europeu”.

Lisboa também foi incisivo em dizer que é um equívoco acreditar que o Brasil seja a nona economia do mundo por  ser “desenvolvido”: “Somos um país grande, mas em termos de renda per capita, estamos perto da 80ª posição”, assinalou o palestrante.

“O Brasil se degradou desde o início desta década, por decisões tomadas anos antes”, prosseguiu Lisboa. “Não crescemos porque não investimos em aprendizagem e infraestrutura, falta segurança institucional – as regras do jogo mudam a toda hora – e criamos dificuldades para quem quer empreender”, alertou.

Lisboa também criticou a superficialidade dos debates mais recentes sobre a dicotomia entre Estado e iniciativa privada, economia liberal e economia intervencionista. “As coisas não são simplistas. O mercado precisa do Estado. Mas, de qual Estado? Em geral, as regras devem apenas delimitar a extensão da liberdade dos contratos e fornecer garantias”, enfatizou.

“Liberalismo é uma forma sofisticada de intervir na Economia, então, o debate não deve ser sobre a necessidade ou não de regular, mas sobre quais regras permitem o desenvolvimento suficiente do mercado”, salientou Lisboa.

O presidente do Insper lamentou que as agências reguladoras estejam enfraquecidas, que a estrutura tributária brasileira seja “disfuncional” e que o Brasil “inove” justamente em questões onde seria mais interessante seguir o resto do mundo. Somos, por exemplo, o único país com imposto indireto cobrado na origem – o ICMS. Ele também alertou que o País gasta demais: a evolução da despesa primária foi de 11% do PIB em 1991 para 20% do PIB no momento atual. “Os gastos públicos são essencialmente com salários e aposentadorias”, explicou.

“Quando o Estado intervém para proteger empresas ultrapassadas, você impede o surgimento de novos negócios. Criamos legislação e aparatos tributários para dar sobrevida a negócios que não teriam chance em um ambiente competitivo”, constatou Lisboa.

Mas, sua visão não é estritamente pessimista. “Eu não estaria à frente de uma escola de ensino superior se não acreditasse no Brasil”, observou o economista. “Precisamos, porém, estimular a competição, investir em infraestrutura, reduzir distorções setoriais e simplificar as regras tributárias”, elencou, dentre outras medidas que ele considera essenciais para tornar o Brasil mais amigável para quem pretende empreender.


Por Comunicação Ibracon

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