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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

Preço das commodities pode trazer altas pontuais nos custos ao produtor

Por Izabela Bolzani

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A menor oferta de minério de ferro pela Vale e os preços do petróleo no exterior continuarão a trazer alterações nos índices nacionais de preços ao produtor ao longo do ano. A apatia ainda grande da economia no País, porém, impedirá repasses ao consumidor.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou um avanço de 0,43% em fevereiro, puxado pelos setores extrativo (+7,97%) e de refino de petróleo e produtos de álcool (+4,22%). Juntos, essas classes influenciaram o IPP em 0,71 ponto percentual.

No total, 11 das 24 classes analisadas pelo IPP apresentaram altas em fevereiro. No ano, os preços da indústria têm queda de 0,33%. No acumulado de 12 meses, porém, o aumento é de 8,36%. Em janeiro, o indicador havia registrado queda de 0,75%, na taxa revisada pelo IBGE.

De acordo com o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo, o avanço do IPP é marcado pela tragédia da mineradora Vale em Brumadinho, Minas Gerais (MG), no último dia 25 de janeiro.

O rompimento da barragem deixou (até a última contagem), 229 mortos e 48 desaparecidos, além de ter paralisado as operações em pelo menos 10 minas. A estimativa é que mais de 80 milhões de toneladas de minérios de ferro por ano deixem de ser produzidas nesse processo.

“A Vale é um grande player do mercado e a queda na oferta trouxe um aumento nos preços do minério de ferro. A isso, soma-se a alta do preço do petróleo no exterior e incerteza em relação ao andamento de reformas estruturais importantes no País até mesmo a desvalorização da taxa de câmbio no mês em questão”, explica do Carmo, da FEA/USP.

Outra atividade que também registrou alta no indicador foram os bens de capital, que marcaram uma alta de 0,23% no mês. Os bens intermediários avançaram 0,64%. Os bens de consumo subiram 0,16%, com alta de 0,18% em bens duráveis e de 0,16% nos bens semiduráveis e não duráveis.

Os preços desses bens comercializados em menor escala, para a família, oscilaram bem pouco em 2018 e também estão menos atrelados ao dólar. Então é importante não apenas olhar os números na margem, mas a tendência que eles traçam ao longo do tempo.

E, no geral, a expectativa é que os preços fiquem controlados”, avalia a assessora econômica da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) Julia Ximenes.

A economista acrescenta, ainda, que é importante esperar e avaliar o comportamento desses indicadores nos próximos meses. “A variação dos preços, no geral, costuma ser mais pressionada no primeiro trimestre.

Março, por exemplo, também deve demonstrar certa elevação. Mas isso ainda não pode ser considerado uma tendência. Precisamos aguardar”, completa a assessora.

Sem repasse aos clientes

Na mesma linha, mesmo com o aumento observado no IPP de fevereiro, os especialistas entrevistados pelo DCI reiteram que os números vieram dentro do esperado e ponderam que a expectativa para os preços ao longo do ano continua a mesma, sem repasse da alta para o consumidor.

De um lado, apesar de a situação da Vale ainda não mostrar nenhuma sinalização de mudança quanto a oferta de minério de ferro, os preços de combustíveis podem ter desdobramentos diferentes, com um arrefecimento dos preços no mercado internacional.

“Os índices de preço do primeiro trimestre têm uma série de pressões ligadas ao mercado agrícola e preços internacionais, mas essas variações não marcam uma alta para o resto do ano”, analisa do Carmo, professor da USP.

“A situação econômica de vários países podem influenciar nos preços que temos no País. Mas a economia mundial está desacelerando e não há expectativa de grandes choques. Podemos ter alguns soluços nos indicadores ao longo do ano, mas o mais provável é que continuemos com a inflação ancorada”, complementa.

Para o membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) Fabio Silva, é possível, inclusive, esperar um arrefecimento nos preços nessas atividades relacionadas aos setores extrativo e de refino de petróleo e produtos de álcool.

“As altas vistas nas leituras recentes estão dentro do esperado. A demanda está fraca, a economia continua sem grandes avanços e esses choques não são suficientes para influenciar em aumento da inflação e muito menos para que haja repasse de preços ao consumidor”, afirma Silva.

Para Ximenes, porém, o andamento das reformas estruturais necessárias no País se faz ainda mais importante. “Acaba sendo uma reação em cadeia. Quanto mais rápido sanarmos o problema fiscal, mais cedo veremos o ciclo econômico se retroalimentar desse cenário”, conclui a especialista.

Fonte: Jornal DCI - 17/4/2019

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