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Terça-feira, 16 de Abril de 2019

Atividade econômica cai na margem e retomada fica só para ano que vem

Por Izabela Bolzani

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,73% em fevereiro frente a janeiro, para 137,14 pontos dessazonalizados. É o menor nível em 10 meses e, para especialistas, sinaliza uma retomada aquém do esperado para 2019.

O índice estava em 138,15 pontos em janeiro. Na comparação com fevereiro do ano passado (137,06 pontos), a alta foi de 0,05%. Em relação ao mesmo mês de 2017 (136,15 pontos), o avanço observado correspondeu a 0,72%.

“Ainda não há nenhuma mudança estrutural cujos efeitos possam melhorar o nível de atividade. Esses números até podem acelerar nos próximos trimestres na medida em que as incertezas sobre a Previdência diminuam, mas tudo ainda está em suspense”, explicou.

“Nossa projeção é de um crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] próximo a 1,5% para 2019”, disse a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto.

A melhora, segundo ela, só deve vir a partir de 2020. Na Reag Investimentos, a estimativa do PIB para o ano que vem é de uma alta de 2,6%. “Isso se a reforma sair com um saldo positivo o suficiente para fortalecer a credibilidade no governo e em sua capacidade de articulação política.

Só então poderemos ver algum crescimento da atividade econômica acima de 2%. Caso contrário, teremos mais um ano com alta perto de 1%”, acrescenta.

De acordo com o Relatório Focus, divulgado ontem pelo BC, a expectativa de alta para o PIB em 2019 caiu de 1,97% para 1,95%. Há quatro semanas, era de 2,01%. Para 2020, o mercado financeiro alterou a previsão de expansão do Produto Interno Bruto de 2,70% para 2,58%. Quatro semanas atrás, estava em 2,80%.

Vemos uma desaceleração na economia. Como o cenário político demorou a ficar claro, muitos empresários postergaram seus investimentos. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho até está criando algumas vagas, mas a reação dos salários é muito modesta, o que também acaba tolhendo o crescimento do consumo”, diz o economista da Guide Investimentos, Homero Guizzo.

Os especialistas ponderam, no entanto, a importância da aprovação da reforma da Previdência no Congresso como forma de diminuir a sensibilidade na confiança dos agentes e recuperar a economia.

De acordo com Guizzo, apesar de a reforma ser “crucial para despertar a melhora na confiança dos empresários e, consequentemente, aumentar o volume de investimentos, ela não é uma “panaceia capaz de resolver todos os nossos problemas”.

“Claro que se os sinais fossem mais claros e se a tramitação fosse mais rápida, veríamos um desempenho muito melhor da atividade econômica, mas ela [a reforma] não é capaz de sanar todos os nossos males”, afirma.

Nas estimativas sobre quais setores devem ser os primeiros a reagir, os especialistas ponderam tanto a parte de investimentos rincipalmente na indústria, quanto a de crédito.

Segundo Pasianotto, porém, em um ambiente onde as expectativas de crescimento da economia mundial rondam os 3,7% neste ano, a média de crescimento do Brasil não só tem sido abaixo do esperado, mas também aquém do necessário para que sejamos considerados um país emergente.

“Para isso, teríamos que crescer bem acima da média mundial. A Previdência pode até posicionar o País em relação à credibilidade dos agentes, mas não cria nenhum emprego imediatamente e nem dá valor agregado ao PIB no curto prazo”, comenta.

“A nossa média de crescimento precisaria ser 5,1% para estarmos equivalentes aos crescimentos esperados nos BRICS [conjunto países - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul]”, destaca Pasianotto.

Demais indicadores

A percepção de uma economia aquém do esperado para o País também se reflete nos demais indicadores de mercado. Ainda segundo o Focus de ontem, a projeção para a produção industrial de 2019 caiu de 2,50% para 2,30%. Há um mês, estava em 2,57%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento permaneceu em 3%, igual ao visto quatro semanas antes.

A pesquisa demonstrou, porém, uma leve alta das estimativas no indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano, que saiu de 56,15% de um mês atrás para 56,20%. Para o ano que vem também houve melhora na mesma comparação, de 58,20% para 58,30%. Na semana passada, essa projeção era de 58,50%.

A mesma tendência pôde ser vista no Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE), também divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O índice fechou o mês passado com queda de 1,3% em relação a fevereiro, a 116,4 pontos. Das oito séries componentes do indicador, seis contribuíram para a queda, liderado pelo Índice de Expectativas do Consumidor (-9,7%) e pelo setor de serviços (-4,2%). Na mesma base relação, porém, o Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE) registrou leve alta de 0,2% em março, aos 103,2 pontos.

Fonte: Jornal DCI - 16/4/2019

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