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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

Novas tecnologias na prática

Tags:conferencia2018

Cinco palestrantes da Rutgers Business School mostraram como as tecnologias disruptivas podem ser aplicadas no dia a dia do Auditor

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Realizado no segundo e último dia da 8ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente do Ibracon – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, o Painel “Experiências Práticas da Aplicação de Novas Tecnologias na Auditoria Independente” colocou em pauta assuntos como Inteligência Artificial, Text Analytics, Blockchain e até o uso de drones. Participaram como palestrantes: Miklos Vasarhelyi, professor ilustre de Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School; Kevin Moffitt, também professor de Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School; Mauricio Codesso, pós-doutorando em Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School; Andrea Rozario, doutoranda em Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School; e Deniz Appelbaum, doutora em Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School.

Com a palestra “Inteligência artificial em auditoria: duas dissertações”, Miklos Vasarhelyi explorou a possibilidade de aplicação dos conhecimentos em “Aprendizagem Profunda” para a tomada de decisões em Auditoria. “A Aprendizagem Profunda tem sido amplamente aplicada na identificação de imagens, reconhecimento de fala, compreensão de texto, tradução automática, jogos etc. No entanto, sua aplicação em auditoria está apenas emergindo”, explicou. “É fato que quatro grandes firmas de auditoria estão explorando o valor da aprendizagem profunda, mas existe a possibilidade de ampliar esse uso e alcance. Pesquisas demonstraram o uso de big data como evidência de auditoria adicional, e a Aprendizagem Profunda integrada ao processo de tomada de decisão do auditor pode ser um caminho promissor”, assinalou.

Outra novidade abordada pelo professor Vasarhelyi foi o Assistente Cognitivo (ou “Assistente Pessoal Inteligente”), que consiste em tecnologia ativada por fala e que pode ser acessada com a voz do usuário, por meio de imagens e/ou de informações contextuais. “São ferramentas de Inteligência Artificial relativamente simples, menos onerosas do que algumas soluções oferecidas atualmente, e que estão aptas a fornecer assistência, responder questões em linguagem natural, fazer recomendações e até executar algumas ações”, ele descreveu.

De acordo com o palestrante, esses assistentes lembram muito a Siri (da Apple) e são mais simples, e baratos, do que o Watson (IBM): “Dotados de habilidades como a recuperação rápida de informações, eles podem auxiliar o usuário a acessar informações relacionadas à auditoria para avaliar riscos”, exemplificou. “Sua capacidade de aprendizagem adaptativa lhes confere a possibilidade de incorporar conhecimentos e experiências dos auditores, recomendar tópicos, alertar para riscos potenciais etc.”.

Já o professor Kevin Moffitt iniciou sua explanação discorrendo sobre o conceito de text analytics. “Trata-se da extração de informações assistida por computador a partir de texto”, esclareceu. “Por meio dessa ferramenta, é possível processar grandes conjuntos de dados e executar algoritmos complexos”.

A matéria-prima que será analisada é extraída da Internet por meio de uma pesquisa que o palestrante denominou “text mining”, algo como “mineração de texto”. Segundo Moffitt, essa ferramenta possibilita “garimpar padrões e repetições que sinalizam tendências e possibilidades futuras”.

Auditoria a voo e gráficos tridimensionais

Quem poderia imaginar que os drones, atualmente utilizados até para captar imagens aéreas para o cinema e fazer entregas, entrariam para o universo da Auditoria? A exposição da Dra. Deniz Appelbaum teve justamente essa abordagem.

“A contagem de estoque em um armazém, por exemplo, pode ser feita com grande exatidão em apenas dois dias com o auxílio de um drone”, afirmou a palestrante. “O mesmo trabalho sem essa tecnologia auxiliar envolveria uma equipe de auditoria de 80 pessoas com scanners de mão e empilhadeiras, e levaria não menos que três ou quatro dias para ficar pronto”, afirmou.

“Dentre as vantagens trazidas pelo uso de drones, posso destacar a economia de energia, uma vez que pequenos drones podem acessar estoques em locais difíceis; a redução de custos, com economias de até 65% ao dispensarmos a construção de pontes e edifícios; maior segurança mediante a necessidade de acessar locais de díficil acesso; e a possibilidade de realizar a coleta de dados em tempo real”, enumerou a especialista.

Maurício Codesso ministrou a palestra “Visualização Interativa de Dados para Detecção de Exceções”, e iniciou sua exposição lembrando que a quantidade de dados disponíveis para acesso é cada vez maior ao redor do mundo.

“Avanço tecnológico facilitou o uso dessas informações, e existem maneiras de expor e analisar os dados que podem otimizar a compreensão do que eles realmente expressam”, informou.

Assim, ao longo do Painel, Codesso demonstrou diferentes estilos de gráficos e mapeamentos, e ressaltou que a “Visualização Dinâmica de Dado” – um gráfio tridimensional, por exemplo – pode auxiliar no controle  e monitoramento contínuo de exceções. “Para essa finalidade, existem diversas ferramentas disponíveis no mercado, inclusive gratuitas”, assinalou. “Muitas delas são de fácil operacionalização, principalmente para quem já está habituado com Excel®”.

A doutoranda Andrea Rozario abordou a “Reengenharia da Auditoria com Blockchain e Contratos Inteligentes”. Além de ressaltar que o advento de novas tecnologias forçou as empresas a se adaptarem a um mundo eletrônico e a modificarem suas práticas de negócios, ela afirmou que o Blockchain demonstra grande potencial como “uma trilha de auditoria à prova de adulteração”.

“Os sistemas de Blockchain são seguros e, até onde se pode prever, invioláveis”, enfatizou a palestrante. “Se for usado em conjunto com contratos inteligentes, o Blockchain pode melhorar muito os processos de negócios”, disse.

Dentre as vantagens desse tipo de sistema, Andrea Rozario elencou o menor riscos de burlar conroles, a padronização de dados menos trabalhosa e a possibilidade de manter um depósito para fontes de dados endógenas e exógenas confiáveis. “Além disso, o Blockchain fornece uma plataforma para implementação de Procedimentos de Auditoria Inteligente e permite acessar e obter relatórios quase em tempo real”, assinalou.

Outros benefícios lembrados pela palestrante foram o histórico público de transações, a “visão comum”, isto é, a uniformidade de dados e informações oferecida a todos participantes e a viabilidade de se realizar auditorias remotas em tempo real. “Além disso, contratos inteligentes facilitam a Auditoria Contínua no Blockchain”, lembrou Rozario.

Mas é claro que também existem desafios: “O uso de Blockchain requer força computacional significativa e exige um certo conjunto de habilidades de auditores e contadores”, exemplificou.

“O fato, porém, é que as tecnologias têm esse poder de transformação e exigem que os usuários se adaptem a elas, para usá-las em todo o seu potencial”, concluiu a painelista.



Por Comunicação Ibracon

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