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Sexta-feira, 08 de Junho de 2018

Participação de grandes obras no PIB da construção despencou em 10 anos

Por Paula Cristina

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A fatia das grandes obras no PIB da construção brasileira foi de 41,3% para 29,5% em dez anos. A queda que reflete o fim de um ciclo de expansão da infraestrutura no País evidencia o protagonismo que as incorporadoras residenciais assumiram na última década e o risco de dar a um seleto grupo de empresários a incumbência de liderar projetos viários, de saneamento e energia.
 
Os dados fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), liberada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que mapeou o setor entre 2007 e 2016.
 
Segundo o estudo, em 2007, os investimentos em infraestrutura somaram R$ 21,90 bilhões, valor muito próximo de 2016 (R$ 21,27 bilhões).O problema, no entanto, é que em 10 anos o PIB do Brasil acompanhou a melhora da economia nacional. Para se ter uma ideia, em 2012, no auge da expansão econômica no século XXI, o investimento em infraestrutura somava R$ 67,04 bilhões, mais que o triplo do verificado em 2016.
 
“Desde o final do século XIX o Brasil viveu três fortes ciclos de expansão de infraestrutura. Um no império, com Dom Pedro II, o segundo liderado por Juscelino Kubitschek, e por fim a alta que seu deu entre 2006 e 2012, na gestão do ex-presidente Lula”, resumiu o professor de engenharia e doutorando em história da infraestrutura no Brasil pela Universidade de Brasília (UnB), Clóvis Seixas.
 
O acadêmico explica ainda que, para além da crise econômica, os problemas para não se conseguir sustentar um avanço em infraestrutura no País têm muitas faces: “Todos os ciclos de expansão se apoiaram em um grupo seleto de empresários. Todos apostaram apenas em obras que trouxessem resultados rápidos e, principalmente, obras com orçamentos bilionários e com margem para malversação de recursos”, avalia.
 
O buraco Quando o ex-presidente Lula criou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007, abriu-se caminho financeiro para custear as grandes obras. Com o importante papel do BNDES nesse processo, empresas como Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão ganharam o fôlego para reconstruir o Brasil.
 
“Foi um período de grande fôlego, de pleno emprego e crescimento do PIB, mas escondia problemas estruturais que só seriam sentidos quando a crise internacional chegou ao Brasil, em meados de 2014”, explica o economista Fernando Sibóia, que foi consultor de investimento de grandes construtoras nos últimos dez anos.
 
Em 2015, quando o cerco da Lava Jato começou a rondar construtores que poderiam ter fraudado contratos para obras ligadas à Copa do Mundo e negócios com a Petrobras o segmento de infraestrutura se reduziu aos leilões de aeroportos e rodovias. “O mercado parou. Primeiro porque não tínhamos construtoras grandes o bastante para ocupar o espaço deixado pelas gigantes, segundo pois não havia a expansão econômica sustentando otimismo dos empresários”, diz Sibóia.
 
Em 2009 o governo federal fez mais uma ação para estimular obras no País: o Minha Casa Minha Vida. Maior programa habitacional da história do País em número de unidades lançadas, o programa prometia diminuir o déficit habitacional brasileiro e estimular negócios entre as construtoras que eram mais focadas em incorporação imobiliária.
 
O produto deu certo. Tão certo que, atrelada à diminuição das obras de infraestrutura, as construtoras de imóveis residenciais viram sua participação no PIB do setor saltar de 39,7% em 2007 para 45,9% em 2016 [veja mais no gráfico].
 
“O problema, nesse caso, é colocar toda a expectativa de venda nas mãos do consumidor final. O setor cresceu muito até 2014, mas na crise foi o primeiro a despencar”, diz Sibóia.
 
Em 2016, ano em que a economia brasileira atingiu o fundo do poço, o setor de construção deixou de movimentar R$ 55,3 bilhões fechou quatro mil empresas e eliminou 428.603 postos de trabalho em todo o País.
 
Contando obras de infraestrutura, comercial, residencial e serviços especializados, o setor movimentou R$ 318,7 bilhões: tombo de 14,8% em relação a 2015, quando já tinha encolhido 15,9%.
 
“Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos tendem a postergar ou cancelar os investimentos.
 
Dessa forma, o setor da construção refletiu queda real de 14,8% no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção na PAIC”, diz o gerente da pesquisa do IBGE, José Carlos Guabyraba.
 
Quando analisado só a infraestrutura, a queda na passagem de 2015 para 2016 foi de 22,1%, movimento que puxou a forte perda de empregos e fechamento de empresas.
 
Como um todo, o nível de investimento na construção em 2016 foi ao menor nível desde 2008.O futuro Ainda incerto, o futuro da construção divide especialistas e analistas ouvidos pelo DCI, mas todos concordam que a atração de capital estrangeiro é essencial para que o crescimento se dê de modo sustentáveis.
 
“As grandes concessões de infraestrutura são importantes, mas é preciso fazer com que a modalidade de licitações também seja replicada por estados e municípios”, comenta Sibóia, que estima ao menos cinco anos para que o segmento volte a ganhar participação no PIB nacional.
 
Seixas, da UnB, acredita que o caminho para o crescimento passe pela chegada de novos protagonistas no setor, movimento que deve vir atrelado às melhores práticas de governança e anticorrupção por parte do governo federal.

fonte: Jornal DCI - 08/06/2018
 
 

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