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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Empresas usam dados da internet para conhecer hábitos dos consumidores

Por Lino Rodrigues

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No caminho oposto do que fez a Cambridge Analytica na campanha de Donald Trump ao usar irregularmente os dados dos usuários do Facebook para direcionar propaganda política e assim ajudá-lo na eleição presidencial dos Estados Unidos, há uma série de empresas no Brasil e no mundo que se valem do bom uso das informações que estão disponíveis na internet para ampliar ganhos, melhorar a oferta e reduzir desperdícios, no caso de municípios.
 
É o chamado Big Data, conjunto enorme de dados armazenados no mundo da internet, que começa a ser explorado por companhias de diversas áreas de atuação e que vão desde lojas de varejo a bancos, passando por setores da indústria, da educação e da saúde, até a gestão de órgãos e públicos.
 
A consultoria Mais Partners se propõe a digitalizar as informações de prefeituras e, a partir da rodagem de algoritmos, descobrir onde há gastos excessivos, desperdício de recursos ou até fraudes, sempre com o objetivo de aperfeiçoar o uso do dinheiro público, tornando a gestão fiscal mais eficiente. Para se ter uma ideia de grandeza, em dois anos de existência a empresa já possibilitou a economia de mais de R$ 450 milhões em projetos desenvolvidos para diversos órgãos públicos.
 
“Nós conseguimos fazer estimativas dos valores que um município pode deixar de gastar a partir de dados públicos, como os disponibilizados pelo IBGE. Aí então comparamos cidades com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) parecido, número similar de população e de crianças em idade escolar, por exemplo.
 
A partir daí, chegamos a algumas conclusões sobre a eficiência da atual gestão”, diz Gabriel Renault, presidente-executivo da Mais. “Depois que somos contratados, passamos a usar os micros dados reais que existem dentro dos órgãos, a maioria deles nem sequer considerados, e interpretamos as informações para identificar os gargalos”, completou o executivo.
 
Entusiasta do bom uso dos dados, Renault afirma que a sociedade só vai se “empoderar” de fato quando houver a apropriação dos dados públicos, que poderão ser usados para pressionar os políticos. “Usar dados de forma eficiente faz com que o recurso público seja melhor aplicado, com menos desperdício e mais racionalização”, diz ele.
 
Há inúmeras aplicações do Big Data na iniciativa privada. Marcelo Vitali, diretor da consultoria de negócios internacionais Orbiz, salienta que a companhia que conseguir prever o que o consumidor espera em termos de novos produtos certamente terá vantagens em mercados cada vez mais dinâmicos e competitivos.
 
Ele lembra ainda que o uso das informações públicas que estão disponíveis na rede para o aperfeiçoamento da oferta é uma tendência mundial, e deve crescer muito nos próximos anos.
 
Segundo o especialista, o varejo é um dos setores que mais se utiliza da leitura de dados para melhorar e aperfeiçoar suas operações. Na prática, assim como os investidores financeiros usam informações do passado para prever o desempenho futuro do mercado de ações, as análises preditivas vão auxiliar cada vez mais os varejistas a fazer suposições sofisticadas sobre suas vendas, margens de lucratividade, compras, descontos, custos, estoques, prazos de pagamento e fluxo de caixa.
 
A Amaro, loja online que vende roupas, utiliza o grande volume de informações de compra obtidas em seu site para direcionar a produção e evitar o acúmulo de estoques. “Conseguimos saber qual cor vende mais em cada estado, qual tecido é mais aceito e qual comprimento de saia a mineira, a paulista ou a gaúcha gostam mais.
 
Dessa forma, sabemos quase de forma exata quantas peças temos de produzir para atender a demanda e também conseguimos montar as coleções certeiras de acordo com as informações que temos”, detalhou o suíço Dominique Oliver, fundador da Amaro e que tem a carreira marcada por passagens em grandes bancos de investimentos estrangeiros.
 
Os números da marca demonstram que a fórmula tem dado certo. Fundada em 2012, e com vendas exclusivamente pelo site, a marca passou a abrir pontos físicos, chamados de guide-shops, a partir de 2015, nos quais as consumidoras podem conhecer as peças ofertadas pessoalmente, prová-las e fazer a compra por meio de um dispositivo eletrônico.
 
A sacola com os itens, no entanto, é entregue diretamente na casa da cliente. Se o endereço for na capital paulista, os produtos chegam em até 2h30. Nas demais regiões, a entrega não ultrapassa 48 horas.

Fonte: Jornal Estado de Minas - 10/05/2018
 
 

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