IBRACON - Instituto dos auditores independentes do Brasil

IBRACON - Instituto dos auditores independentes do Brasil IBRACON - Instituto dos auditores independentes do Brasil

Início Loja Virtual TV Ibracon Fale Conosco

Notícias > Notícias do Ibracon

Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Artigo: Perspectivas Econômicas 2018 - superando a maior crise econômica brasileira

Em artigo para a Revista Transparência Ed. 28, André Rebelo, economista, assessor para Assuntos Estratégicos da presidência da FIESP e conselheiro do Sebrae-SP, fala sobre as perspectivias econômicas para o ano que se inicia.

Tamanho do Texto: a A

De 2014 a 2016, o país enfrentou a pior crise econômica da sua história, com perda acumulada no Produto Interno Bruto (PIB) de 8,6% num período de 11 trimestres – pior resultado já registrado desde que se iniciou a medição do PIB, em 1947. Como consequência, o desemprego saltou de aproximadamente 6% para 13,7% do total da força de trabalho do país.

A partir de 2013, a economia passou a perder dinamismo. A indústria começava a exibir taxas negativas de crescimento. O Custo Brasil e uma taxa de câmbio excessivamente valorizada tiravam artificialmente a competitividade do produto brasileiro, e os impulsos de demanda vazavam para o exterior na forma de aumento de importação. O governo insistia na política de expansão da demanda via aumento dos gastos públicos e corte de impostos, mas o que se conseguiu produzir foi aumento de importações e redução do superávit primário.

Os gastos públicos federais, que cresceram 6% ao ano acima da inflação, continuaram sua rota de aumento na mesma velocidade. A arrecadação, em virtude do desaquecimento econômico e de novas renúncias fiscais, apresentou forte desaceleração. Como consequência, em novembro de 2014, o resultado primário acumulado em 12 meses tornou-se negativo pela primeira vez desde 2000 e, desde então, nunca mais foi positivo. Em 2015, uma nova equipe econômica tentou um frustrado ajuste fiscal e um realinhamento de preços – que estavam contidos havia anos! Esse realinhamento, aliado à desvalorização do câmbio, acelerou a inflação, que fechou 2015 em 10,67%.

Com a parada da economia, redução da renda real e aumento de desemprego, o sistema bancário privado travou a expansão do crédito, segurando a demanda do consumo e investimento. O estoque de crédito, que até 2013 crescia a taxas reais próximas a 10% ao ano, passou a encolher 5% reais ao ano para pessoa física e 15% para jurídica.

Além da freada do crédito, o desempenho negativo da indústria já tinha parado o investimento privado. Em decorrência da corrupção revelada pela Operação Lava Jato, a Petrobrás cortou seus investimentos pela metade, passando de 1,85% do PIB para menos de 1%. Tivemos, então, queda do PIB e desemprego.

No meio da crise, a situação política do governo se agravou, culminando com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Esta foi afastada provisoriamente do governo em maio de 2016 e, definitivamente, em agosto do mesmo ano.

Ao assumir, o novo governo demonstrou compreender bem a gravidade da situação fiscal e passou a priorizar algumas reformas estruturais e o equilíbrio de longo prazo das contas públicas. Assim, projetos importantes foram aprovados – como a PEC que estabelece um teto para os gastos públicos, a reforma trabalhista e as mudanças nas regras de terceirização –, indicando inflexão no cenário e injetando ânimo nos agentes econômicos de modo a estimular a retomada do crescimento.

No final de 2017, o cenário era de clara recuperação. Muitos agentes ainda não se convenceram disso – afinal, a queda da indústria foi de 20% e a do PIB de quase 8%.
Comparações com os níveis de atividade antes da crise sempre vão mostrar que estamos muito abaixo. Simulações mostram que o Brasil retomará o nível de PIB per capita de 2013 apenas em 2023 ou mais tarde.

Porém, ressalte-se: o cenário atual é de recuperação e há percepção de melhora consistente nas condições da economia, como os diversos indicadores a seguir mostram:
Pelo segundo trimestre consecutivo (2T2017), o PIB registra crescimento, após oito trimestres seguidos em queda. 1T17 +1,0% e 2T17 +0,2%.

A indústria apresentou crescimento de 1,5% no acumulado até setembro, primeiro resultado positivo para o período desde 2013. O acumulado até setembro em 2014, 2015 e 2016 foi de -2,3%, -7,8%, -0,7%, respectivamente.

O comércio varejista ampliado (que inclui automóveis e construção) acumulou alta de 1,9% até setembro de 2017; certamente, o saque das contas inativas do FGTS teve impacto importante sobre as vendas no setor. O saque total do FGTS foi de R$ 42,5 bi; estima-se que a metade tenha ido para consumo.

Recuo do desemprego: em setembro tivemos queda pelo sexto mês consecutivo, passando de 13,7% em março de 2017 para 12,4%. Eram 14,17 milhões de brasileiros sem emprego e, agora, são 12,9 milhões. Criação de 217 mil vagas formais até outubro.

Os indicadores de confiança, tanto de consumidores como de empresários, também mostram melhoras. Os indicadores da CNI, por exemplo, mostram que a confiança do consumidor está no nível 101, sendo que em dezembro de 2015 era de 96. Já para os empresários, o indicador atual é de 51, tendo atingido 35 anteriormente.

Em resumo, a retomada é clara, e levará o PIB do Brasil a fechar 2017 com crescimento próximo a 1%.

Além disso, a inflação próxima a 3% em 2017 e a ociosidade geral na economia ajudarão na manutenção das taxas de juros em níveis baixos; atualmente, a Selic está próxima a 3% reais ao ano, o que incentivará ainda mais o crédito e a demanda em geral.

É preciso aproveitarmos este momento para criar condições de uma redução mais pronunciada dos juros ao tomador final. Para tanto, devemos rever a regulamentação dos depósitos compulsórios dos bancos, aumentar a concorrência bancária atraindo novos bancos e estimulando as empresas que fornecessem credito por meio de aplicativos da internet, as chamadas fintechs, além de reduzir a tributação ao crédito.

Para 2018, não há dúvidas que teremos a aceleração da retomada; acreditamos que o crescimento do PIB deve superar os 2,5%.

A dúvida fica para os anos seguintes. O Brasil deve construir um equilíbrio fiscal duradouro, precisamos controlar o crescimento dos gastos previdenciários e aumentar a eficiência dos demais gastos do setor público brasileiro. Ao mesmo tempo, temos que implementar uma agenda que reduza o Custo Brasil, isto é, o excesso de custo que as empresas enfrentam por produzirem em nosso país, relativo ao excesso de tributação e burocracia, custo de capital, custo e escassez de infraestrutura etc. Sem sombra de dúvida, as eleições gerais do ano que vem serão um importante palco para estas discussões.

*Por André Rebelo: economista, assessor para Assuntos Estratégicos da presidência da FIESP e conselheiro do Sebrae-SP

Este artigo reflete a opinião do autor e não da Revista Transparência. A publicação não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Revista Transparência Ed. 28

Leia a edição completa, clicando aqui.

Por Comunicação Ibracon

Fechar [X]

Indicar a um amigo!

Fechar [X]

Enviar a um amigo!