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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

Ibracon faz diagnóstico do novo relatório do auditor

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Por Roberta Mello

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O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) divulgou recentemente estudo inédito sobre os Principais Assuntos de Auditoria (PAAs) contemplados no Novo Relatório do Auditor emitido sobre as demonstrações contábeis com exercício findo em 31 de dezembro de 2016.

Foram analisados os conteúdos de 546 companhias abertas, incluindo mais de 100 das maiores empresas listadas na bolsa de valores. Com o objetivo de obter um diagnóstico geral e por setor de atividade dos assuntos de maior importância identificados pelos auditores independentes durante o período objeto de auditoria, o estudo contempla a análise dos PAAs das companhias que arquivaram os relatórios dos auditores independentes no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de janeiro a março de 2017.

Ao todo, a pesquisa apresenta a análise de 23 tipos diferentes de PAAs. Em 2018, a seção de PAA será requerida a todo o universo de fundos de investimento regulados pela CVM, e não só para as companhias listadas na bolsa de valores.

Também deverão emitir relatórios os fundos mútuos regulados pela CVM. "Com isso, o universo vai ser muito maior - em torno de 15 mil fundos. Creio que, no universo de fundos, a média dos PAAs tende a ser pequena, porque o negócio é mais simples", diz o presidente do Ibracon, Idésio Coelho.

JC Contabilidade - O que motivou a realização do estudo?

Idésio Coelho -
Este é o primeiro ano do estudo, porque 2016 foi o primeiro ano em que se adotou o Novo Relatório do Auditor no Brasil. Os primeiros relatórios foram emitidos no início de 2017.

Contabilidade - Que mudanças os relatórios passaram a apresentar desde o início deste ano?

Coelho - Em mais de 100 países, a nova norma traz um relatório mais extenso e mais transparente no tocante à particularidade específica da auditoria naquela entidade auditada, demonstrando também as responsabilidades do auditor e da administração no tocante ao trabalho de auditoria e de preparação da administração contábil. Esse novo relatório é, desta forma, mais claro, se comunica de uma forma mais individualizada do que o relatório anterior, que tinha basicamente uma informação em relação à companhia.

Era um relatório com ressalva ou sem ressalva. Se era sem ressalva, era exatamente igual em todas companhias. Se apresentava ressalva, tinha particularidades. O novo relatório conservou a conclusão de com ou sem ressalva, mas trouxe mais informações específicas de áreas de ocupação do auditor, independentemente de existência de ressalva ou não.

Esta seção específica tem o nome de Principais Assuntos de Auditoria e é obrigatória para todas as companhias listadas no mundo todo. As companhias reguladas pela CVM com ações listadas na Bolsa de Valores têm essa seção específica. As demais entidades não têm essa seção, mas guardam toda a comparabilidade com as demais entidades, exceto a ausência desta seção específica.

Contabilidade - O trabalho do auditor passa a ser mais valorizado?


Coelho - O novo relatório dá maior transparência ao trabalho do auditor, aproxima o auditor dos agentes da alta governança. Antes, esses itens eram comunicados, ou deveriam ser, para a administração, mas eles não eram externados ao público.

Quando você enfatiza isso, diz que o item é relevante e identifica o motivo, todos os agentes internos se preocupam com a forma como vai ser divulgado. Os agentes internos passaram a querer entender muito mais o processo de auditoria para garantir uma divulgação adequada. Se aproximou muito o auditor dos conselhos de administração, dos comitês de auditoria e do conselho fiscal. Isso foi bastante positivo e também permitiu, no meu entendimento, uma avaliação pelo usuário da informação financeira e do relatório de quais as áreas de maior suscetibilidade a variações dentro das demonstrações contábeis.

Contabilidade - E o estudo se debruçou sobre que aspectos da seção de PAAs?

Coelho - O estudo do Ibracon buscou demonstrar como ocorreu a comunicação do auditor no relatório e quais foram as áreas de maior ênfase e relevância vis a vis no primeiro ano de adoção. O relatório incluiu todas as companhias listadas e com relatório de auditoria liberado até 31 de março de 2017, o que incluiu 546 companhias.

Contabilidade - Um dos pontos mais encontrados nos relatórios foi o Valor Recuperável de Ativos Não-Financeiros (Impairment). O que isso representa?

Coelho - Destas companhias pesquisadas, nós acumulamos 1.300 PAAs na soma destas 500 companhias, lembrando que estamos falando de todas as companhias; e o nosso estudo, além de ser geral, também estava segmentado por tipo de indústria. Esse comportamento se altera um pouco em relação ao tipo de indústria.

Nas indústrias manufatureiras, com muitos investimentos em ativos fixos, a ênfase foi destaque sobre os testes de recuperabilidade desses ativos.

Contabilidade - Em segundo lugar, consta o reconhecimento de receita.

Coelho - Sim, em um patamar muito parecido ao PAA anterior. Reconhecimento de receita é o driver de toda empresa, é o primeiro item do resultado, aquele que gera o fluxo de caixa positivo para toda companhia. Pela particularidade, pela relevância, pelas dificuldades às vezes de mensurar elementos da receita, pelo risco de fraude que pode existir, o item de receita é um item, por definição padrão, que tem probabilidade maior de risco de fraude.

O aparecimento desse item no PAA não quer dizer que tenha sido identificado problema de fraude, mas que existe uma possibilidade maior de manipulação ou de valor inadequado. Esse pano de fundo todo gera uma preocupação ou uma ênfase maior do auditor nesse componente.

Contabilidade - Esse estudo também ajuda a ver se os auditores já estão familiarizados com o novo relatório, a avaliar como está sendo a implantação dessa nova norma?

Coelho - O relatório é estatístico, e você depura informações dos números. Nós passamos com este estudo, por meio da aplicação prática da nova norma, pela leitura de todos os relatórios, incluindo firmas grandes e pequenas, pela conversa com reguladores, notadamente a comissão, e com as empresas em si. Tudo na vida é um processo, mas como nós investimos muito no Ibracon em treinamento, esclarecimento da norma, me parece que a norma foi muito bem assimilada.


Fonte: Jornal do Comércio RS - 12/09/2017


 

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