IBRACON - Instituto dos auditores independentes do Brasil

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Sexta-feira, 07 de Julho de 2017

Conferência do Ibracon reúne 800 participantes em São Paulo

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Questões relacionadas à transparência, inteligência da informação e auditoria digital foram destaques na 7ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente

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O Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil recebeu 800 participantes na 7ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, evento realizado nos dias 26 e 27 de junho, em São Paulo. Na ocasião, cerca de 40 palestrantes e painelistas nacionais e internacionais estiveram reunidos para discutir a evolução da atividade de auditoria independente em dois eixos principais: o impacto dos avanços tecnológicos na atividade de auditoria independente e temas em favor da ética e da transparência nas esferas pública e privada.

Inteligência da informação na era digital, auditoria digital, inteligência artificial, Contabilidade Aplicada ao Setor Público (IPSAS), Novo Relatório do Auditor, foram alguns dos temas abordados.

O início da conferência reuniu discussões sobre a importância do combate à corrupção e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas. "Dentre as prioridades inclui-se, sem dúvida, a preponderância da ética e da lisura no controle dos gastos públicos e dos fluxos de capitais, bem como na interação entre o setor privado e o público. Tal avanço é imprescindível, pois não há desenvolvimento e plenitude democrática quando impera a corrupção", enfatizou Idésio Coelho em seu discurso de abertura. O presidente do Ibracon também destacou que os profissionais de contabilidade e auditoria independente podem contribuir para a mudança dessa realidade, e salientou a necessidade de enfrentar as transformações decorrentes da tecnologia.

Ainda na abertura do evento, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), José Martonio Alves Coelho, ressaltou a sinergia da entidade com o Ibracon. "Temos nos dedicado a valiosas atividades conjuntas, no sentido de elevar o nível técnico e científico do contador brasileiro da área de auditoria independente. Posso citar, de imediato, as ações que envolvem o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), o Exame de Qualificação Técnica e a Educação Profissional Continuada", afirmou.

Um dos destaques da programação foi o discurso de Leonardo Pereira, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o executivo, o mercado de capitais depende de um ambiente de negócios sólido e transparente e a adoção de normas contábeis internacionais é positiva para o mercado. Ele comentou que, cinco anos atrás, quando foi apresentado ao mercado como o novo presidente da CVM, já sabia que uma das questões prioritárias no Brasil seria a contabilidade e a forma como ela é tratada dentro das empresas.

"A contabilidade é preponderante para a constituição de um ambiente de negócios confiável, em micro e macro escala, e o Brasil obteve um grande avanço com a implantação das IFRS. Não precisamos de relatórios de 300 páginas, mas de informações sólidas e apresentadas com clareza, que as pessoas possam realmente ler e compreender", disse. Pereira também destacou que as novas tecnologias podem impactar positivamente a forma como lidamos com as informações.

Tecnologia

O evento tratou de experiências práticas de inteligência da informação e tendências da era digital, ocasião em que Guilherme Novaes Procópio de Araújo, da IBM Brasil, falou sobre o Watson, sistema de inteligência artificial que está revolucionando as mais diversas áreas, por exemplo, para auxiliar a pesquisa de tratamentos de saúde e no desenvolvimento dos negócios. "Estamos vivendo uma era em que o engajamento digital predomina. Cada vez mais, as empresas precisam dispor de inúmeros canais de atendimento para os seus clientes. É fundamental, para qualquer organização moderna, manter-se alinhada às novidades tecnológicas", afirmou.

O executivo destacou que o Watson pode ter aplicabilidade em contabilidade e auditoria, podendo ser orientado, por exemplo, na busca de informações. Para demonstrar o funcionamento, acionou a versão brasileira do Watson (que, no Brasil tem voz feminina e chama-se Isabela), formulou perguntas sobre Escrituração Contábil Digital (ECD) e tributação e, em poucos segundos, obteve respostas compartilhadas com o público presente.

O evento também contou com a participação de Matt Waldron, diretor Técnico do International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB), que abordou o crescente uso da tecnologia na atividade de auditoria e citou algumas conclusões importantes do Data Analytics Working Group (DAWG), grupo de trabalho de análise de dados formado pelo IAASB.

Waldron mencionou desafios que precisam ser superados, por exemplo, na relação de investidores com os comitês de auditoria. "Em muitos casos, os dados da entidade são necessários para o auditor e, além de lidar com as naturais preocupações com segurança e privacidade, ele precisa ter infraestrutura suficiente para armazenar e processar as informações, o que pode ser desafiador devido ao tamanho e volume dos dados", afirmou.

Ainda com o enfoque em tecnologia, a conferência contou com as participações do presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP) e da Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Aescon-SP), Márcio Massao Shimomoto; do diretor Técnico do Ibracon, Rogério Garcia; e de André Luiz Caccavo Miguel, chefe adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil (BCB), sob a moderação do presidente do Conselho de Administração do Ibracon, Eduardo Pocetti.

Caccavo explicou de que forma os bancos centrais do mundo, e o brasileiro em particular, vêm procurando consolidar e interpretar a grande quantidade de dados disponíveis (Big Data). "No caso do BCB, o interesse pelo tema não se restringe à área de TI", informou, e explicou que, no BCB, a busca por uma solução em Big Data começou a ser implementada no final de 2015, com a busca por solução analítica apta a gerir a grande quantidade de dados gerados pelos Sistemas de Informações de Crédito, Pagamentos Brasileiros, Monitorização do Mercado de Capitais, Câmbio e Balanço de Pagamentos, entre outros. "Estamos falando em 19 bilhões de registros de dados, sendo uma parte deles estruturados e uma parte não", disse.

Márcio Shimomoto propôs uma reflexão acerca do impacto das novas tecnologias nas empresas de contabilidade. "Devemos refletir sobre como o Fisco vem trabalhando. Também noto que essa grande quantidade de dados, estruturados e não-estruturados, nos assustam. Talvez essas novas ferramentas façam a diferença, permitindo-nos gerir melhor esse grande volume de informações", afirmou.

Rogério Garcia, trouxe uma "provocação" para o público: o que impedirá que as auditorias e empresas contábeis sejam substituídas por futuras start-ups? "Hoje, temos muitos processos manuais; além disso, sempre confiamos demais nas amostras, mas o uso das tecnologias deve mudar isso. Da mesma forma, a experiência, a hierarquia 'por tempo de casa', devem perder espaço para outros atributos. Em pesquisas, a capacidade de resolução de problemas, o pensamento crítico e a criatividade figuram como as três habilidades mais desejáveis para o profissional de 2020", disse.

Combate à corrupção

O papel do auditor no combate à corrupção também foi tema do evento do Ibracon. Em debate, representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal defenderam que os auditores podem auxiliar na detecção de fraudes. Roberson Henrique Pozzobon, procurador do Ministério Público Federal (MPF), foi o primeiro participante do painel “Inteligência da Informação na Era Digital”.

“O auditor tem o desafio de decidir o que fazer depois de constatar um indício de fraude”, ele afirmou. “A quem ele deve informar? Ao COAF? A alguma agência pública? Ao próprio contratante? E como fazer isso, se as investigações da Operação lava-Jato nos mostraram que grandes companhias mantinham departamentos inteiros dedicados ao pagamento de propinas?”, perguntou.

O painel teve também as participações de Carlos Eduardo Pellegrini, delegado de Polícia Federal (ADPF), e de Marlon Jabbur, representante do Ibracon e sócio de investigação de fraudes em uma firma de auditoria independente. Pellegrini afirmou que, tão importante quanto encarcerar os corruptos, é recuperar o montante desviado. Ele demonstrou também como um investimento de R$ 40 milhões, efetuado na investigação de desvios de recursos, permitiu a recuperação de R$ 40 bilhões. “Isso foi possível graças ao sistema Atlas, que nos permite cruzar uma infinidade de dados e detectar evidências de fraudes”, observou. A mediação foi feita por Tadeu Cendón, diretor de Desenvolvimento Profissional do Ibracon.

Compliance

"Compliance regulatório para Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes (FAPMP)" foi o tema do último painel do primeiro dia do evento do Ibracon. A mediação do painel foi realizada pela diretora de Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes (FAPMP), Monica Foerster.

Sócio de uma firma de auditoria, Paulo Carvalho destacou que a qualidade é o que realmente vai garantir que as empresas sobrevivam aos desafios, enfrentem a concorrência das firmas de grande porte e não sejam prejudicadas pelo avanço das chamadas tecnologias disruptivas. "Vimos hoje como as novas ferramentas tecnológicas estão transformando o mercado. A reputação e a credibilidade das empresas constituem o seu principal patrimônio", destacou.

O segundo convidado a falar neste painel foi Paulo Peppe, sócio de uma firma de auditoria, que criticou as empresas que não seguem boas práticas, praticam a concorrência desleal e aceitam o aviltamento dos honorários. "O termo compliance deriva do verbo to comply, que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um comando ou um pedido. Portanto, estar em compliance é o mesmo que estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos", disse.

Marco Aurélio Cunha de Almeida, vice-presidente de Registro do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), participou do painel representando o "lado regulador" e foi enfático na defesa do conjunto regulatório existente.

Setor público

Na palestra inicial do painel "Contabilidade Aplicada ao Setor Público (IPSAS)", Bruno Ramos Mangualde, coordenador de Normas e Procedimentos Contábeis da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), enfatizou que o setor público é bem diferente do setor privado, mas que isso não tem impedido que governos e autarquias apostem em práticas de gestão de empresas para melhorar sua performance. "A Austrália, por exemplo, foi pioneira na adoção do regime de competências típico do setor privado. No Reino Unido, o Estado também adota as IPSAS como padrão contábil", disse.

Ele destacou que existe uma tendência clara, por parte dos governos de adotar as IPSAS, concebidas pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB). "A necessidade de maior transparência e de um alinhamento às normas globais de contabilidade é um caminho sem volta", salientou.

O mediador do painel, Francisco Sant'Anna, diretor de Comunicação do Ibracon, ressaltou que a adesão das IPSAS é positiva para a interação entre os países. Zulmir Ivânio Breda, vice-presidente Técnico do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), observou que, a cada dois anos, quando são prestadas contas à International Federation of Acoountants (IFAC), dentro do programa de obrigações de associação, pode-se perceber que o país está bem posicionado no que se refere à convergência das normas de auditoria. "Por outro lado, a parte educacional, no que se refere ao preparo do profissional da área, ainda necessita de melhorias. O problema é que, no Brasil, essas questões dependem também de órgãos públicos responsáveis pela Educação, que nem sempre compreendem as necessidades do setor", disse Breda.

A diretora de Contabilidade da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, Graziela Meincheim, relatou um pouco de sua experiência com a implantação das IPSAS. "A primeira coisa que devemos ter em mente é que, se olhamos apenas para a receita arrecadada versus as despesas empenhadas, nós não temos uma visão do todo. Assim, as normas vieram para melhorar a transparência e a gestão", explicou.

Normas internacionais

Amaro Gomes, membro do Board do International Accounting Standards Board (IASB), foi o palestrante no Painel “Atualidades das IFRS”. Amaro falou sobre as normas que devem entrar em vigor em breve, e destacou que a futura aplicação da IFRS 17, voltada para o registro contábil dos contratos de seguros, já está sendo avaliada pelo IASB. "A IFRS 17 será a primeira 'mexida' efetiva nas demonstrações das companhias de seguro. Esse projeto demorou 19 anos para ser concluído pelo IASB", acrescentou, salientando que a entidade também pretende desenvolver, cada vez mais, uma taxonomia IFRS.

José Carlos Bezerra, superintendente de Normas Contábeis e de Auditoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ressaltou que o órgão regulador nunca se atém a uma determinada empresa ou operação. "Seu papel é olhar o mercado como um todo, mantendo-se atento ao contexto em que cada norma é aplicada", defendeu.

Membro do Grupo de Trabalho (GT) Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes (FAPMP) do Ibracon, Ricardo Rodil disse que as FAPMP ainda estão se debruçando sobre as IFRS 15 e 16. "Neste âmbito, penso eu, ainda não estamos preparados para uma IFRS 17", disse.

Edison Arisa, coordenador Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), ainda no âmbito da IFRS 17, ressaltou que as implicações são de grandes dimensões, pois a norma muda completamente a contabilidade do setor de seguros e deve demandar por um longo período de tempo e esforços em diversas frentes.

O moderador do debate foi o diretor de Administração e Finanças do Ibracon, Francisco de Paula dos Reis Júnior, para quem "as empresas ajudariam os analistas e os investidores se já divulgassem os resultados, mesmo que parciais, da aplicação das normas estabelecidas pelas IFRS já vigentes".

Noclar

Os principais avanços da norma Noclar (Resposta ao Descumprimento de Leis e Regulamentos) foram abordados por Ken Siong, diretor Técnico do Internation Ethics Standards Board for Accountants (IESBA). Para Siong, as novas regulamentações vão trazer avanços importantes na relação entre profissionais e empresas, governo e demais especialistas: “A norma estabelece um arcabouço para a profissão de contador e de como agir da melhor forma em prol do interesse público”, disse.

A apresentação de Siong foi debatida no painel “Noclar - Resposta ao descumprimento de leis e regulamentos”, moderado por Adelino Dias Pinho, diretor de Regionais do Ibracon. Joaquim da Cunha Neto, coordenador-geral de Supervisão do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) disse que a instituição conhece as dificuldades da Noclar: “Mas o tempo fará com que isso faça parte da atividade dos auditores e contadores”. Ele afirmou também que o órgão já recebeu 13 milhões de comunicações. “A gente sabe da preocupação do que será feito de cada comunicação. Isso pode ou não gerar relatório de inteligência financeira”, explicou.

Para Sérgio Varella Bruna, sócio no Lobo & de Rizzo Advogados, as regras da Noclar demonstram que o mundo mudou e que pessoas e instituições precisam ser mais aderentes às leis. “Quem cumpre as normas deve contar com a proteção institucional”, destacou.

Luiz Fernando Nóbrega, vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) pontuou que as mudanças previstas na Noclar foram temas de discussões no âmbito da instituição. “Isso causou repercussões bastante relevantes dentro da profissão”, disse.

Idésio Coelho, presidente da Diretoria Nacional do Ibracon, ressalta que a norma representa um avanço e que o Ibracon está atuando ativamente não apenas em sua tradução, interpretação e avaliação da sua aplicação no ambiente brasileiro, como também em sua divulgação. Coelho também reforça que a norma será aprovada no Brasil apenas com a garantia da devida proteção aos profissionais da Contabilidade.

Novo Relatório do Auditor

Já existe um alinhamento dos relatórios brasileiros com a experiência internacional. Essa foi uma das conclusões das apresentações realizadas no painel “Aplicação prática do Novo Relatório do Auditor (primeiras experiências)”, moderado por Rogério Garcia, diretor Técnico do Ibracon.

Patrícia Agostineto, coordenadora do Comitê de Normas e Auditoria (CNA) do Ibracon, apresentou um estudo estatístico sobre o novo relatório. Segundo ela, os trabalhos brasileiros estão no mesmo nível das experiências internacionais. “Estamos alinhados com o que está ocorrendo no Reino Unido”, exemplificou.

“O grande desafio desse primeiro ano de implantação foi a redação”, indicou Thiago Matos, analista de Normas de Auditoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo pesquisas que o profissional realizou, o documento precisa ainda deixar as informações mais transparentes e trazer dados mais relevantes para o investidor. No mesmo painel também esteve presente Madson Vasconcelos, gerente de Normas de Auditoria da CVM, que respondeu às perguntas do público e também destacou a importância do Novo Relatório do Auditor.

Nelson Carvalho, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), lembrou que modificações ainda deverão ocorrer na produção do relatório. “Estamos assistindo a um filme, não uma foto”, disse. Segundo ele, o caminho do crescimento é buscar maior posicionamento do auditor nos relatórios. “Acabou-se o tempo que nós nos escondíamos por trás de números”, finalizou, referindo-se à sua experiência também como auditor independente no passado.

“Os palestrantes e painelistas apresentaram ao público as tendências para o ambiente de negócios e destacaram a importância da contabilidade para a transformação social do Brasil. Nossa expectativa é que o conteúdo da programação da Conferência contribua de modo efetivo para que todos enfrentem os desafios que o próprio desenvolvimento da nossa atividade nos impõe. Encará-los e superá-los é fundamental, pois a sociedade espera muito de nós no processo de transformação ética do Brasil”, afirmou no encerramento, Idésio Coelho, presidente do Ibracon.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Ibracon -06/07/2017


Por Comunicação Ibracon

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