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Segunda-feira, 07 de Abril de 2014

Dow Jones altera composição de índice de sustentabilidade

Por Rute Pina

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Os questionários para o Dow Jones Sustainability Index, que mede as empresas com melhores performances financeiras e que também estão associadas ao comprometimento ambiental e á sustentabilidade, passaram a integrar o conceito de materialidade financeira.

A partir de agora, qualquer fator que pode impactar no crescimento, lucratividade, eficiência do capital e exposição aos riscos das empresas passam a integrar a elaboração do índice. A mudança começa neste ano e os relatórios passaram a ser preenchidos desde a última quinta-feira.

"O conceito tornou-se muito forte após as crises econômicas e acidentes ambientais", afirmou Natalia Pasishnyk, consultora da Key, consultoria especializada em negócios sustentáveis. Ela afirma que a mudança se deu para maior aproximação das problemáticas ambientais e econômicas. "As pessoas não conseguiam relacionar estes acontecimentos aos riscos financeiros."

Pasishnyk destaca que, neste ano, a Dow Jones deixou mais claro e com linguagem mais próxima do investidor para a avaliação dos riscos. Ela afirma que a alteração traz o índice mais próximo dos investidores, que têm melhores condições de avaliar as práticas sustentáveis das companhias e também o retorno financeiro.

O Sustainability Index foi criado em 1999 para a mediação dos riscos ambientais. Atualmente, são 12 empresas brasileiras as que aparecem na lista das empresas com bons índices de valor econômico e comprometimento ambiental. Entre elas estão a Fibria, Banco do Brasil e Semig.

No País, a Bovespa também criou um índice que busca avaliar "as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade contemporânea e estimular a responsabilidade ética das corporações". Iniciado em 2005, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) foi pioneiro na América Latina. Pasishnyk, porém, avalia que, ao contrário do americano, o índice brasileiro ainda é pouco rigoroso. "A ideia dos dois é parecida, mas o índice americano é muito mais complexo e leva em conta muitos fatores".

Para o coordenador executivo da Vitae Civilis, Marcelo Cardoso, genericamente, estes índices não correspondem necessariamente à realidade das companhias. "Não é uma garantia para o consumidor de que as práticas das empresas são sustentáveis. Apenas relatórios, poucos rigorosos, não bastam. São apenas um green watching do mercado financeiro", afirmou ele.

Cardoso afirma que "estes índices são necessários e importantes, mas precisam de mais rigor". Acentua que os questionários devem levar em conta, por exemplo, o impacto industrial. "Como avaliar a sustentabilidade de uma indústria petroquímica?".

Para ele, a economia verde envolve "uma discussão muito complexa e conflituosa" e antigas dicotomias entre desenvolvimento, economia e práticas sustentáveis. "No Brasil, com o horizonte de abundância de recursos naturais, temos a tendência de flexibilizar índices e regulamentações", disse.

Para Cardoso, não é necessária uma total radicalização nos índices e marcos regulatórios para que os dados não sejam deturpados. "Na Alemanha, por exemplo, deixando de lado alguns dogmas, o setor de energia avançou muito, investindo em energia renovável", explicou ele. "É necessário calibrar melhor esses índices", concluiu o coordenador do instituto.

Fonte: Jornal DCI-07/04/2014

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