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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

Admirável diferencial humano

Por Idésio Coelho

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Em 2017, transcorrem 85 anos da publicação do best seller “Admirável mundo novo”, do escritor inglês Aldous Huxley. O emblemático aniversário da obra, referencial temático de ficção científica e política, suscita reflexões sobre o impacto da tecnologia nas pessoas, trabalho e empresas.

O livro, num impressionante vaticínio, alerta sobre os riscos da padronização humana, resultante da engenharia genética e da cibernética.

Pois bem, se utilizarmos a tecnologia apenas para a automação de processos e produção de modelos uniformes de serviços e produtos, seremos todos iguais, na vida e no mercado, como os membros das castas descritas por Huxley!

O que nos torna únicos, diferentes e competitivos em tudo o que fazemos é o modo como usamos máquinas, equipamentos e aplicativos para ir além, tomar boas decisões e encontrar soluções customizadas e inovadoras.

O diferencial humano torna-se mais fundamental à medida que a tecnologia evolui. Se não o exercitarmos sempre, seremos previsíveis e dispensáveis. Mantê-lo não significa utilizar a tecnologia apenas para a automação de processos.

O grande salto é torná-la uma ferramenta eficaz para a tomada de decisões com base em informações concretas e a busca de soluções inovadoras. Aplica-se, aqui, o conceito de Business Analytics, que utiliza algoritmos avançados para processar registros de dados, possibilitando análises seguras e amplas.

As empresas estão explorando ferramentas mais sofisticadas, inclusive que "aprendem", como robôs, que terão impacto crescente nos escritórios de contabilidade e firmas de auditoria. É importante que, dentro do possível, todas modernizem-se.

Devem somar-se a tudo isso, contudo, princípios éticos, compliance e o respeito aos bons preceitos da governança e às leis. Tais valores ainda são fundamentais numa era em que a tecnologia também pode ser usada para fraudes e crimes. Mas nem tudo é solucionado pela tecnologia, e isso está sendo cada vez mais valorizado em determinadas áreas.

Assim, não é sem razão que 89% dos entrevistados em nova pesquisa da ACCA (Association of Chartered Certified Accountants), instituição global para a formação e educação continuada de contadores, com sede em Londres, tenham afirmado que “princípios e comportamentos éticos fortes tornar-se-ão mais importantes na era digital”.

Foram ouvidas 10 mil pessoas em todo o mundo para aferir a temperatura do tema em questão. Oitenta por cento acreditam que os profissionais da contabilidade que se baseiam nas boas práticas da profissão contribuem para a capacidade das organizações de manter a ética; e 94% defendem que, nesta era digital, ainda se apliquem os princípios do International Ethics Standards Board of Accountants (IESBA), adotados em 120 países.

Os dados evidenciam o que a sociedade espera de contadores e auditores independentes, em especial no cenário brasileiro de combate à corrupção. Nesse contexto, é preocupante outra informação da pesquisa: um em cada cinco respondentes admitiu ter sentido pressão para comprometer seus princípios éticos nos últimos 12 meses. Isto demonstra o significado dos diferenciais humanos da firmeza de caráter, inteligência emocional e consciência cívica.

São antigos valores que qualificam o novo mundo digital!

Idésio Coelho é presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon)
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